Dobra em cinco anos

Documento da Morgan Stanley, que circulou nos bastidores da conferência interministerial da OMC, em Cingapura, sustenta que o mercado mundial de telecomunicações vai crescer 14,1% ao ano nesta segunda metade da década final do século. O que significa dizer que os negócios do ramo vão dobrar, em cinco anos, de quase US$ 500 bilhões para perto de US$ 1 trilhão.
Tenho a íntegra do estudo na minha mesa. O que espanta é a corrida de investimentos no setor. Uma explosão. Certamente, favorecida pelo desmanche em cascata de todos os monopólios estatais de telecomunicações. Sobraria, no ano 2000, apenas um: o da Coréia do Norte. Onde o telefone particular ainda é tratado como equipamento altamente subversivo, com direito a ‘‘paredon’’. E não apenas o telefone. Também a velha máquina de escrever.
Para o Brasil, a Morgan Stanley atribui uma expansão anual abaixo da média global: 12%. O que significa dobrar o sistema em seis anos e não em cinco. Continuamos ranzinzas na ‘‘flexibilização’’ do monopólio estatal, avalia o estudo. Ainda assim, a Telebrás é tratada pelos autores como estrela da festa: a mais atrativa operadora da América Latina, sobre ser a 11ª do mundo em tamanho. O sistema Telebrás opera 94% dos quase 15 milhões de terminais em serviço, além de 100% dos troncos de comunicação interurbana e internacional.
Para os consultores americanos, o primeiro grande complicador da abertura das telecomunicações no Brasil é justamente o da próxima reestruturação tarifária. Não é fácil desmanchar o regime de subsídios cruzados das áreas rentáveis da longa distância interna e externa para os serviços deficitários da telefonia urbana ou local. Até mesmo o modelo de privatização da telefonia celular, por regiões delimitadas, estabelece áreas quentes e áreas frias, estas rotuladas, diplomaticamente, de ‘‘periféricas’’.
Outra complicação é o da escolha do grau e do padrão de digitalização do sistema. Um terceiro desafio é o da própria lógica do negócio: maior o número de usuários (e maior a qualidade dos serviços) também maior é a demanda adicional do sistema. Que o diga a telefonia celular, nova paixão nacional.

SECOS & MOLHADOS
Quem diria?

- Impressionante a carreira da Telebrás no mercado externo de capitais. Os papéis da estatal, as ‘‘American Depositary Receipts’’ (ADRs), figuram entre os 20 mais negociados na Bolsa de Valores de Nova York. Onde a valorização, desde o lançamento, em novembro de 1995, já passou de 100%.
Em Chicago
- Desde outubro, a Telebrás figura como uma das 12 únicas empresas estrangeiras com títulos negociados no mercado futuro da Bolsa de Chicago. Ela comparece com ‘‘opções flexíveis’’: garante ao investidor o direito de escolher a data de vencimento. O volume negociado cresce muito.
Tudo azul
- Estimativa do BNDES: a Telebrás deve fechar o ano com um lucro líquido superior a R$ 3,2 bilhões. Contra R$ 809 milhões no ano passado. O estudo da Morgan Stanley projeta R$ 100 por ação no primeiro semestre do ano que vem. O palpite foi espalhado na Internet com ‘‘Windows’’.
Disparada
- Nos últimos dez anos, segundo o BNDES, a receita operacional líquida da Telebrás cresceu 16,7% na média anual, contra 11,9% da Eletrobrás e 3,1% da Petrobrás. Em bolsa, a Telebrás passou a concentrar 72% dos negócios diários, contra 5,2% da Eletrobrás e apenas 2,9% da Petrobrás.

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