‘‘O mal dos políticos não é a falta de persistência. O mal dos políticos é a persistência na falta.’’
Aparício Torelly (1895-1971), Barão de ItararéO freio da anta
O freio esboçado da anta brasileira nada tem a ver com o pouso já consumado da águia americana. O pouso da águia é um tributo ao sucesso e não ao fracasso. Espécie de fadiga do material, ao fim e ao cabo de toda uma década de ouro. Com câmbio de cinco marchas: 1) crescimento acelerado; 2) estabilidade monetária; 3) neutralidade fiscal; 4) produtividade econômica; 5) competitividade global.
A trava da anta, freio a risco nas quatro patas, é um tributo ao fiasco no setor elétrico e ao vexame na arena política. Sem essa de botar culpa na ressaca americana. Ou de responsabilizar, aqui ao lado, feito Pilatos, a fuzarca Argentina - que vai continuar caindo do Cavallo por sua própria conta e sina.
Na arena política, nada de novo na frente ocidental. Somos do ramo da pusilanimidade e da contemporização. A ‘‘crise’’ da vez, por exemplo, não poupa nenhum dos lados da bola murcha. É legal, mas não é ético o governo abrir as burras para aplacar o fisiologismo orçamentário de aliados pero no mucho. Certo?
Pois igualmente é legal, mas não é ético a oposição reencenar a ópera-bufa da CPI da corrupção ampla, geral e irrestrita (incluída a própria?), com o propósito meramente eleitoreiro, disfarçado de investigatório e remoralizante.
A verdade é que estamos no mato sem cachorro e sem codorna.
O governo não tem comando e a oposição não tem programa. A menos que se entenda por comando de governo a prática da abafadura política. E, por programa de oposição, a tática do piorômetro nacional.
O governo tem medo da CPI 2001? A oposição tem medo do PIB 2002. Se a CPI 2001 desviar do rumo e do prumo a tal de ‘‘agenda positiva’’ do Congresso, estará dado um grande lance para a sabotagem política das apostas dos agentes econômicos na recuperação sustentada e duradoura do mercado e do emprego. De resto, recuperação iniciada em 2000, com PIB de 4,5% e com mais 7% de emprego no mercado formal de trabalho (aumento líquido de 1,2 milhão de carteiras assinadas).
Um PIB com repeteco de 4,5% em 2001 (a indústria cresceu 7,2% no primeiro trimestre) , com impulso de banguela para um desempenho ainda melhor em 2002, seria um desastre para o cacife eleitoral da oposição. Se ela, sem programa, não conseguiu chegar sequer ao segundo turno em 1998, fundo do poço do real, que sorte teria em 2002, ainda sem programa, mas com PIB acima de 5%?
Secos & Molhados
Piorômetro 1
Servida por estrategistas de bar, a oposição terá mesmo de fazer girar as turbinas do piorômetro nacional. Se possível, revertendo o PIB do aclive para o declive. A CPI da corrupção teria massa crítica para isso? Altamente perecível, teria alguma memória de urna se lançada em maio de 2002 e não em maio de 2001.
Piorômetro 2
Pelo sim, pelo não, uma agenda de viés moral, se bem operada, com CPI no picadeiro, seria a única chance da oposição na hipótese de um deslanche econômico até outubro de 2002. Nos palanques da vida, a corrupção ocuparia o vácuo da inflação e da recessão. A sociedade engrandece o problema terceiro quando resolve o segundo e se livra do primeiro.
Piorômetro 3
Eis que se acende uma luz de lamparina no túnel da sucessão: a do apagão da energia. Com pinta de estagflação. Ou seja: os eletrocratas atarantados ensaiam fazer pelo piorômetro da oposição um comício bem mais ruidoso que o da CPI da corrupção.
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