Joelmir Beting
Temos de explorar as nossas principais fontes alternativas de energia: amendoim, pó de guaraná, ovos de codorna e Caracu com ovo batido. Casseta & Planeta, in O Avantajado Livro de Pensamentos
Renasce Angra 3
Porque já estamos com o pé direito no racionamento da força e da luz, e não por falta de aviso, reabre-se o projeto da terceira usina nuclear de Angra dos Reis. Onde já enfiamos US$ 1,4 bilhão em equipamentos antecipados e em juros já remetidos sobre créditos ainda não amortizados. A conclusão demandaria mais US$ 1,6 bilhão e o primeiro quilowatt seria gerado em maio de 2005.
O Conselho Nacional de Política Energética deve bater o martelo ainda em maio, a pedido da Eletronuclear. Esta, sob o guarda-chuva político do governo fluminense. O secretário de Energia do Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer, lembra que o projeto já está quase a meio caminho e que o custo operacional da central nuclear ficará abaixo do custo operacional das futuras usinas a gás natural.
Um abaixo-assinado de um milhar de assinaturas, incluídas as de uma infantaria de 304 deputados federais, foi entregue pelo secretário Wagner Victer ao novo ministro da Energia, José Jorge. E um estudo de viabilidade energética e econômica da Angra 3, reatualizado no próprio governo, acaba de pousar na mesa de Cláudio Ávila, novo presidente da Eletrobrás. Que vai submetê-lo ao crivo de uma consultoria privada.
O enrosco está na viabilidade financeira da retomada. O documento propõe a criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), com capital inicial de US$ 500 milhões. Subscrito pela Eletrobrás (51%) e por acionistas privados. O interesse privado estaria nos empreiteiros da obra, nos fornecedores de equipamentos, nos bancos e fundos brasileiros (e alemães).
Entre os acionistas em potencial devem figurar os demais investidores de ocasião. Estes, de olho gordo num indicativo do estudo de viabilidade: o megawatt-hora (MWh) da Angra 3, na parelha com o da Angra 2, custaria US$ 32 - mais baixo que os US$ 38 das novas termoelétricas a gás natural.
Pioneiros do ramo, os americanos acabam de reatar o casório com a energia nuclear. A última usina deles, de uma série de 103 carroças atômicas, foi inaugurada em 1978. Agora, a Exelon, de Chicago, dona de 23 usinas nucleares, anuncia um projeto oblíquo: testar uma planta piloto da usina nuclear do futuro para os Estados Unidos. Uma central menor, mais eficiente, mais segura e mais barata. Ou menos cara. A cobaia começa a ser instalada a 30 quilômetros ao norte da Cidade do Cabo. Yes, na África do Sul.
Secos & Molhados
São do ramo
Os tecnocratas republicanos do governo Bush já ergueram o polegar direito para as novas usinas nucleares. Eles dinamitaram o tratado antiestufa de Kyoto e agora lembram, candidamente, que os reatores não emitem o terrível dióxido de carbono...
Mudou tudo
A Casa Branca deve anunciar na semana que vem a reabertura do programa nuclear americano. Com incentivos fiscais. A chantagem intermitente do petróleo alheio e os apagões tópicos e táticos da Califórnia falam mais alto que a repelência dos ecologistas distraídos.
Nova bolha
E mais: a tecnologia da energia começa a ocupar no mercado de capitais o vácuo deixado pelo estouro da bolha das empresas de pontocom, datacom, telecom e midiacom. Ou seja: não faltará venture capital para os novos projetos.
Leque total
Já se fala em Wall Street em reatores de quinta geração, em células combustíveis, em carros a etanol, em softwares energéticos, em energia solar, em energia eólica e até mesmo em fissão nuclear a frio... Vixe!
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