Joelmir Beting
A competitividade das nações desloca-se maciçamente dos recursos naturais e dos ativos físicos para os recursos humanos assistidos.
Gary Becker, Prêmio Nobel de Economia
Andando de lado
No campeonato mundial da competitividade, o Brasil está marcando passo na 31.ª posição. Com dois consolos: a) na América Latina, só estamos na poeira do Chile (24) e ainda bem à frente do México (36) e da Argentina (46); b) também na dianteira da Itália folgazã, membro do G-7, em 32.º lugar.
E mais: estamos igualmente não muito distanciados do Japão, fenômeno do pós-guerra. A segunda potência econômica do planeta retrocedeu, em dez anos, da 7.ª para a 26.ª colocação. O Japão perdeu o gás, a gana e a pose. Deixou-se atolar no marasmo.
No ranking global, estamos atrás de países emergentes como Taiwan (18), Estônia (22), Hungria (27), Coréia do Sul (28), Malásia (29) e Grécia (30). Mas lideramos o quarteto das chamadas nações continentais emergentes, com massa crítica para pesar na economia global no mundo dos nossos filhos ou netos. Ganhamos da China (33), da Índia (41) e da Rússia (45).
A economia nacional mais competitiva do mundo continua sendo, para variar, a da águia agora na ressaca. Do alto de um PNB que se aproxima de US$ 10 trilhões (a dólar médio de 2000), a economia americana consegue ser a melhor e não apenas a maior. O problema é que no ranking planetário a ficção geográfica das nações coloca ao lado dos Estados Unidos, em primeiro lugar, a ilhota de Cingapura, com sua cidade-Estado sob espartano regime militar. E com a plácida Finlândia da Nokia igualmente no pódio, em terceiro.
A quem interessar possa: divulgado, ontem, em Genebra, o Relatório Mundial sobre Competitividade, edição 2001, tem 515 páginas no formato revista e custa nada menos de US$ 530 o exemplar. Produção suíça do Instituto Internacional de Administração (IMD, em inglês), a mais reputada business school da Europa.
Vale o preço. O relatório anual, iniciado em 1970, resulta da ponderação e análise de 286 critérios, país por país. Até pela sofisticação e abrangência da metodologia, o IMD contenta-se em acompanhar a carreira de 49 países (dos 194 da Unctad/ONU).
Sim, 286 critérios cruzados e balanceados para a medição do índice de competitividade global de cada país. Não confundir com índice de produtividade, isoladamente. Nem com análise do desempenho econômico, estritamente. A metodologia rastreia indicadores econômicos, científicos, tecnológicos, estruturais, logísticos, financeiros, tributários, trabalhistas, jurídicos, (des)regulatórios, políticos, sociais, ambientais, morais... Em resumo: competitividade da sociedade.
Secos & Molhados
Vamos bem
- No capítulo Brasil, o IDM destaca que melhoramos em produtividade das empresas e em recuperação da infra-estrutura. Em 2000, com US$ 30,6 bilhões, lideramos os emergentes na atração de capitais produtivos das múltis (China em 2.º).
Muita gana
- Aparecemos em segundo lugar no mundo, depois dos americanos, no quesito espírito empreendedor de pessoas e de empresas. Energia preciosa.
Nem tanto
- Dentre os 49 países pesquisados, ostentamos o custo mais barato do trabalho na indústria. Com a ressalva: o IMD não compara encargos sociais amoitados na folha do pessoal. Isso distorce o resultado no caso brasileiro, em especial.
Vamos mal
- Somos rabeiras em custos do capital (44.º lugar), políticas sociais (45), disciplina jurídica (45), formação profissional (45), sistema tributário (47) e desigualdade social (49).
www.joelmirbeting.com.br
[email protected]





