‘‘O otimismo não funciona. O otimismo nada melhora. O pessimismo funciona. O pessimismo tudo piora.’’
James Tobin, Prêmio Nobel de Economia (1981)
De susto em susto
Sejamos, pois, otimistas, recomenda o professor James Tobin, 83 anos, em seu clássico The American Business Creed (1956). Ele sustenta que o credo americano dos negócios é uma aposta perene no sucesso ou no lucro. Até porque, avalia ele, na ética protestante do capitalismo ninguém tem inveja do sucesso nem vergonha do lucro.
Uma reflexão sob medida para a sinistrose que ronda o pouso suave da esfalfada águia americana ou o soar da hora da verdade (cambial) na estressada conversibilidade argentina. E com nove em cada dez analistas destilando catastrofismo na baixa com a mesma histeria com que exalam sensacionalismo na alta.
No caso americano, o tal de ‘‘mercado’’ vinha trabalhando, antes do ‘‘crash’’ anunciado da Nasdaq, com duas notícias alternadas: uma boa, outra má. A boa notícia: a economia americana vai bem. A má notícia: a economia americana vai bem.
Lembram-se? Até março do ano passado, a alta das ações era xingada de ‘‘irrational exuberance’’. Digna de ser espancada com cinco puxadas encavaladas dos juros do Fed. E toda boa notícia da expansão do consumo, da produção e do emprego ganhava a releitura da má notícia do arrocho monetário purgativo ou punitivo, na linha do monetarismo ‘‘stop and go’’ da Escola de Chicago.
Agora, euforia do touro passando a bola murcha à angústia do urso, a boa notícia da nova redução dos juros do Fed dá carona à má notícia da ‘‘quebra de confiança do próprio Fed na recuperação natural dos negócios’’. Ou da ‘‘timidez do Fed’’, que estaria subestimando o processo recessivo amoitado na desaceleração de sua própria lavra.
Para o ‘‘mercado’’, o terceiro corte dos juros no trimestre deveria ter sido de 0,75 ponto porcentual (boa notícia). O corte de 0,50 foi uma decepção (má notícia). E retoma-se a aposta de um mercado feito de apostas: o Fed tende a fazer dois cortes de 0,25 antes da próxima reunião do Fomc, agendada para 15 de maio.
Exposição de motivos: nos últimos 12 meses, a Nasdaq perdeu US$ 3,1 trilhões de seu Efeito Riqueza. O professor Greenspan, ‘‘senhor dos mercados’’, estaria remoído de remorso cívico.
Voltemos à Casa Rosada. Para o mesmo ‘‘mercado’’, a boa notícia do ajuste fiscal de Murphy foi afogada pela má notícia da crise política detonada pelo próprio pacote. E a boa notícia da volta triunfal de Domingo Cavallo, Pai da Conversibilidade, é esfarelada pela má notícia da manutenção da paridade cambial a ferro e fogo, reator da estagnação econômica e do desemprego endêmico.
Secos & Molhados
Sem pressa
- Para o ‘‘mercado’’, a derrubada dos juros do Fed, de 6,50% em dezembro para 4,50% em abril ou maio só reengatará a expansão da economia americana no quarto trimestre do ano. O refresco tributário de Bush só terá o mesmo efeito em 2003.
Sem fuzarca
- A reaceleração da economia americana depende menos do corte de juros e de impostos e mais de uma valorização gradual dos índices de bolsa. Afinal, o desaquecimento econômico foi produzido menos pela alta dos juros e mais pela baixa das ações.
Sem milonga
- A Argentina não tem luz no fim do túnel. Se é que ainda tem túnel. O próprio Cavallo admite que o impasse é cambial e não fiscal. A opção da conversibilidade contratou a crise de competitividade. Com direito a desemprego rosca sem-fim.
Sem alívio
- O que de bom se pode esperar da Argentina? Se não dá para melhorar, que ela pare de piorar. Ou seja: não deixar a fadiga da conversibilidade cambial evoluir para uma crise de governabilidade terminal. Eles são do ramo.

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