‘‘Expectativas de alta provocam a alta, que sanciona as expectativas. Expectativas de baixa provocam a baixa, que sanciona as expectativas.’’
Franco Modigliani, Prêmio Nobel de Economia (1985)
Perda de US$ 8,8 trilhões
Quanto vale no mercado do dia o estoque global de ações? Sim, na soma de todas as ações de todas as empresas negociadas em bolsa em todo o mundo. Estoque global atualizado mês a mês pela Economist Intelligence Unit (EIU), empresa inglesa de pesquisa econômica que edita a revista The Economist.
Há exatamente um ano, 14 de março de 2000, o estoque global estava cotado em US$ 35,4 trilhões. Ou 112% do PIB mundial na mesma data, ainda na estimativa da EIU. Em março de 1990, esse mesmo ativo equivalia a 88% do PIB mundial. E agora, março de 2001, tempo de vacas magras e loucas em Wall Street?
Sem contar os estragos desta semana, por efeito dominó ou efeito manada, o fechamento dos mercados, sexta-feira, 9, apontou para um estoque global reestimado em US$ 26,6 trilhões. Uma queda acumulada, em 12 meses, de 25%. Ou de 59% da Nasdaq, isoladamente. O estoque global teria baixado de 112% para 81% do PIB mundial (em valores correntes).
Nessa relação mercado global/produto mundial, voltamos aos níveis de 1988, pós ‘‘crash’’ do mercado global (-21%), em 1987. Segurem-se nas cadeiras: a atual reversão já subtraiu do Efeito Riqueza de governos, empresas, famílias e indivíduos, em todo o mundo, exatamente US$ 8,8 trilhões. Dos quais, US$ 5,3 trilhões nos Estados Unidos (ou US$ 3,1 trilhões na Nasdaq).
Assim como houve uma corrida em massa para o mercado de ações na segunda metade da década passada, haveria doravante uma debandada em massa desse mesmo mercado? Mesmo com perdas em bloco de até US$ 550 bilhões num único dia e numa única bolsa (Nasdaq, segunda-feira, 12), os investidores tendem a permanecer a bordo do Titanic, ‘‘o navio que nem Deus afunda’’.
A maioria dos investidores individuais e a quase totalidade dos investidores institucionais e corporativos sabem que não se deve sair na baixa - especialmente os que só entraram na alta. Desde que a baixa não venha a se transformar em ‘‘insegurança irracional’’, contrapartida sob medida da ‘‘exuberância irracional’’.
Circulou ontem pela Internet uma avaliação da WSJ Market Data Group, dando conta de que o valor real ou justo do estoque de ações da Nasdaq estaria hoje na cota de 1.250 pontos... Este seria o verdadeiro fundo do poço. Ainda há gorduras pontuais nas cotações de empresas pontocom, datacom, telecom e midiacom.
Secos & molhados
A salvo
- Sempre com o bico no toco, o megainvestidor Warren Buffett não se conteve e saiu cacarejando ovos em carta circular aos acionistas, datada de sábado, 10: a) nunca recomendou ações de tecnologia; b) nos últimos 12 meses, seu fundo Berkshire Hathaway ganhou 14,2%. A Nasdaq perdeu 59%.
Sem bolha
- Criticado por seu conservadorismo (antes do estouro da bolha), Buffett reafirma na carta circular que vai continuar descartando bolhas, ondas e modismos em suas opções de investimento. E mais: só investe em empresas com cenário seguro de pelo menos dez anos. Sua pista é o fluxo de caixa descontado de cada uma delas.
Sem pressa
- O fundo de Buffett acumula, desde a estréia, em 1965, uma valorização média de 24% ao ano. O que equivale a dobrar o patrimônio a cada 36 meses no curso de 36 anos.

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