Joelmir Beting
O avião comercial atingirá seus limites no ano 2000: até 500 km/h, peso bruto de 45 t, autonomia de 1.200 km, para 60 passageiros.
Nevil Shutte (1890-1956), escritor americano
Megamídia na tela
O cinema vai acabar com o teatro (1910). A televisão vai acabar com o cinema (1950). A Internet vai acabar com a televisão (1995).
Já estamos em 2001 e o teatro, o cinema, a televisão e a Internet, cada um a seu tempo e modo, vão respirando e prosperando muito bem, obrigado.
Ah! Falou-se igualmente, há menos de sete anos, que a Internet acabaria também com os jornais, as revistas e os livros - além dos filmes e dos discos. Bem, certas turbulências tecnológicas e mercadológicas, produzidas pelo advento intempestivo da Web, ainda não baixaram a poeira. Mas já dá para desconfiar que, entre mortos e feridos, acabarão escapando todos. Exceção dos falidos.
O certo é que estamos nas fímbrias da multimídia digital, convergente, compartilhada, interativa, digna do rótulo megamídia.
Logo mais, servida pelo espalhamento da banda larga, pela comutação sem fio e/ou pelo cabeamento ótico. Este, com fibra de 0,1 mm transportando 1 milhão de vezes mais dados que um satélite. Ou com um cabo de fibras em feixe transmitindo até 1 trilhão de bits por segundo.
E tome grandezas siderais. Relatório 2000 da International Telecommunications Union informa que o planeta já está enlaçado por 11,4 milhões de quilômetros de cabos óticos, na terra e no mar, fazendo circular perto de 1,6 quatrilhão de bits por segundo. Essa malha ótica vai dobrar de extensão em mais 31 meses. Por volta de 2004, a transmissão de dados estará respondendo por 85% do faturamento das operadoras. Em certos nichos, a transmissão de voz aceitará tarifas praticamente simbólicas, perto de zero.
Por enquanto, tempo de banda estreita, freqüência lotada, acesso lerdo e definição turva, pesquisa da Edison Media Research revela o anseio da jovem galera americana pelo casório PC/TV: 47% dos pesquisados, na faixa etária de 12 a 24 anos, venderiam a moto da namorada por uma primeira TV interativa com Web a bordo.
No Brasil, padrão digital da TV interativa ainda não definido pela Anatel (se americano, europeu ou japonês), a Globosat já testa em Sorocaba, São Paulo, caixas decodificadoras digitais em casas e escritórios de assinantes cobaias, dotados de televisores convencionais. Os novos decodificadores dispensam a linha telefônica e são compatíveis com qualquer dos padrões em exame pela Anatel. Eles passarão a funcionar como canal de interatividade do assinante, mesmo sem a posse do televisor digital.
O problema é que o decodificador custa, hoje, ao redor de R$ 650, suspira Antonio João Filho, diretor de Tecnologia da Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura.
Secos & molhados
Decolando
- Precisamente neste fim de semana, a GloboCabo e a Globosat realizam o primeiro exercício de interatividade com a operação interligada de TV a cabo (Net) e de Internet de banda larga (Virtua). No conteúdo, a transmissão em cross-mídia de todos os jogos da Taça Davis.
Cardápio
- Assinantes e internautas podem escolher 3 canais na TV e 3 no PC - com tratamento diferenciado de cada jogo de Guga & cia. Na TV, além da Net, há opções também na Sky. A parceria digital TV/PC será ampliada, ainda este ano, para o futebol e eventos diversos.
Nova pilha
- O advento da TV digital e do usuário (inter)ativo deve relançar a TV a cabo no Brasil. Ela estacionou abaixo de 3,5 milhões de assinantes, com faturamento de operadoras e programadoras somando menos de R$ 3 bilhões. Projeta-se, para 2005, o dobro de assinantes (7 milhões) e mais que o dobro de receita (R$ 8 bilhões).
Japoneses
- Tecnologicamente esperto, o Japão anunciou, ontem, a construção de uma torre de 610 metros de altura na Baia de Tóquio. Na mira, a eclosão da TV digital a cabo. O governo marcou para 2009 o fim das transmissões analógicas.
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