Joelmir Beting
A única expressão autêntica de um povo é a dança. Simplesmente porque os corpos não mentem.
Agnes de Mille, coreógrafa americana
Confetes dourados
A recuperação da economia brasileira estabelece um estado de distensão emocional que só faz por encher a bola e a cuíca do nosso inefável carnaval. Produto maior da economia do entretenimento, sem distinção de classe, sexo ou idade.
Agentes econômicos ligados aos negócios diretos e indiretos do carnaval - os indiretos começam a ser explorados seis meses antes da travessia da primeira escola nos 722 sambódromos registrados na Embratur - sustentam que o carnaval 2001 vai superar em 15% a 20% o carnaval 2000. Esse último vendido como carnaval do Milênio ou carnaval dos 500 Anos do Brasil.
A hotelaria do Rio de Janeiro, ocupação máxima reservada na altura de dezembro, espera faturar 12% a mais em diárias e serviços, com remarcação média de 7% dos preços nominais. Estima-se um aumento de 17% na recepção de turistas estrangeiros - sem contar os argentinos, ainda ressabiados e reticentes.
A economia fluminense de serviços, com pelo menos um pé no mercado da folia, calcula em R$ 230 milhões o consumo adicional dos seis dias de carnaval (de sexta, 23, a quarta, 28). Seis dias? Sim, em quase todo o Brasil já espichamos o carnaval de quatro para seis dias. O pessoal larga o estresse na quinta à tarde e volta com a ressaca só na outra quinta de manhã. Deu para sentir essa debandada precoce na noite de quinta-feira em São Paulo - cujo carnaval maior é o do sol ou da chuva no litoral. Ou o das frescas noites de Campos do Jordão, o autêntico velório do samba, diria Vinícius de Moraes.
E a Bahia, xente? Em Salvador, a Empresa Municipal de Turismo, vulgo Emtursa, avisa que o carnaval baiano dura dez dias corridos. De terça, antes, ao sábado, depois. Haja trio elétrico! Nos cálculos da Emtursa, os negócios do carnaval devem totalizar, este ano, perto de R$ 460 milhões. Em dez dias de Salvador, o dobro da fatura dos seis dias do Rio de Janeiro.
Acredita-se no desembarque, até este sábado, de 760 mil visitantes brasileiros (começando pelos do interior baiano) e de 45 mil estrangeiros. Algo parecido com um terço da população da capital do acarajé e do axé.
De resto, axé baiano barrado este ano no carnaval pernambucano. O de Olinda, terra do frevo. Cuja prefeita, Luciana Barbosa de Oliveira Santos, do PC do B, partido nanico protecionista e xenofóbico, baixou decreto municipal multando em R$ 5 mil o bloco que ousar tocar axé (ou pagode) em desfile oficial... Diz ela: Faz sentido cultural.
Secos & molhados
Trio de ouro
- Improvisado em 1950 sobre um fordeco dos anos 30, o trio elétrico baiano espalhou-se pelo Brasil 2000. Toma de assalto desfiles de carnaval, carreatas de campanha eleitoral e passeatas de greve sindical.
Made in Bahia
- A tecnologia do trio elétrico baiano começa a ser exportada para a América Latina e União Européia. Um carro superequipado não tem saído por menos de US$ 450 mil.
Para fora
- Os embarques de turistas brasileiros para o exterior, neste verão, ficaram 17% acima do movimento de 2000. Mas ainda 43% abaixo da farra cambial do verão 1994/95, o primeiro do Real.
Pau a pau
- No mercado de pacotes turísticos, a coisa passou de 70% (internacionais) versus 30% (domésticos), há seis anos, para 40 x 60 este ano. A Soletur, a Agaxtur e a Decatur apostam em empate técnico (50 x 50) no próximo verão.
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