Joelmir Beting
Saúde ambiental - 3
O Fórum Econômico Mundial é algo mais que um seminário caudaloso no cocuruto nevado de Davos, na Suíça. Trata-se de uma ONG financiada por governos ricos e por empresas múltis para a realização de pesquisas e estudos sobre os cursos erradios da economia global e da geopolítica internacional. Governos e empresas não se contentam com os relatórios burocráticos das organizações multilaterais da ONU, da OCDE, da OMC, do BIRD e do FMI.
Eis que, por encomenda do Fórum Econômico Mundial, estréia na praça o primeiro ranking global do estado de saúde do meio ambiente usinado pela natureza e deformado e/ou restaurado pelo bicho-homem. O ranking abriga 122 países e toma como lastro o Índice de Sustentabilidade Ambiental (ISA), construído pelos pesquisadores das universidades americanas de Columbia e Yale.
O detalhe: não se trata de mais uma arenga de países ricos sobre o desenvolvimento sustentável. A sustentabilidade sopesada, no caso, é a do próprio meio ambiente, entendido como fator condicionante para o crescimento econômico sustentável, tomado com fator condicionado.
A metodologia ISA, para variar, está sendo questionada em prosa e verso. Primeiro, porque há conceitos técnicos discutíveis na produção do índice e na armação do ranking. Segundo, porque o ranking leva jeito de funcionar como ficha cadastral dos países na partilha global de financiamentos dos bancos e de investimentos das múltis. Tal como já ocorre, sob certas condições, com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da ONU, ou com o ranking da corrupção global disparado pela ONG Transparency International.
Bem, o Brasil aparece em 28.º lugar, com ISA de 58 pontos. À frente de países como Cuba (35.º), Itália (37.º), África do Sul (45.º), Polônia (58.º), México (73.º) ou Bélgica (79.º). O índice 100 é o da perfeição ambiental - antes de Adão e Eva. O meio ambiente mais limpo e estável do mundo, com exatos 80 pontos, é o da plácida Finlândia. Em segundo, com 77 pontos, a Suécia. Em terceiro, com 66, a Austrália.
A ponderação do ISA, em cada país inventariado, abrange cinco campos: 1) sistemas ambientais; 2) mudanças ambientais; 3) estresses ambientais; 4) políticas ambientais; 5) patrulhas ambientais. Com ressalvas, na costura do ranking, para contágios ambientais nas áreas de fronteiras nacionais e de ecossistemas regionais.
Secos & molhados
Boa figura
- Até que o Brasil se saiu bem neste primeiro ISA. Um 28.º lugar é quase um prêmio para um país de peso planetário que desfila crachá de bandidão da civilização na Amazônia. Ou que, para dentro, tolera vastas carências de saneamento básico nas cidades e graves desvios de exploração sustentável nos campos.
Safando-se
- Os Estados Unidos figuram em 11.º lugar. Menos pela sustentabilidade natural dos respectivos ecossistemas e mais pelas políticas ambientais recentes e severas, destiladas por um certo remorso coletivo pelos estragos ambientais do passado. Ou pelo instinto de conservação biológica do capitalismo opulento.
Como é que é?
Espanta no ranking a posição da Rússia, em confortável 33.º lugar, à frente da Itália. É sabido que o socialismo selvagem fez de toda a Europa Oriental uma lixeira horrorosa (a China Comunista ocupa o 108.º lugar). Explicação dos autores do ISA: os dados fornecidos pela Rússia são imprecisos...





