‘‘No fundo, as empresas de sucesso são guiadas menos pela garantia do lucro e mais pela conquista do poder.’’
Jack Welch, presidente da General Electric
Ainda não deu linha
As operadoras da telefonia celular das bandas A e B esfregam as mãos de alegria. O mercado brasileiro cresce a um ritmo feroz de 40 mil novos assinantes por dia, e o novo atraso no leilão das licenças para a futura banda C só faz por alargar a participação de mercado das empresas já instaladas. Justamente elas, que, por atuarem também na telefonia fixa, foram proibidas de participar da licitação da banda C.
O que não falta é explicação (com pouca justificativa) para a frustração de mercado da nova banda C, primeira perna do tripé do celular 3G (de terceira geração), juntamente com as bandas D e E. Previsto para terça-feira, 6, o aborto do leilão deu-se não por embargo jurídico de última hora, mas por falta de apetência dos eventuais interessados aqui dentro e, sobretudo, lá fora.
O desinteresse teria a ver, segundo consultores do ramo, com dúvidas técnicas da modelagem que informa a transição para o sistema 3G e com a fixação de preços mínimos e metas de qualidade e desempenho distanciados dos retornos esperados pelos investidores. Ademais, a não-participação das operadoras de telefonia fixa e a desistência antecipada da gigante inglesa Vodafone teriam sinalizado um primeiro fiasco do leilão. Se declarada ‘‘área deserta’’, a banda C teria seu preço mínimo reduzido para uma nova licitação ainda este ano.
Essa última versão, a da licença salgada, com direito a ágio, é conversa fiada. Não há aguardo incerto de redução de preço que compense a perda de tempo dentro de um mercado que ensaia quase dobrar de tamanho em 18 meses, saltando de 22,4 milhões de usuários, em dezembro de 2000, para 44 milhões, em junho de 2002. Para a Anatel, a demanda reprimida do celular, insuflada pelo pré-pago, seria hoje da ordem de 40 milhões. De padrão chinês.
A frustração da banda C – que não desarma os leilões das bandas D (20 de fevereiro) e banda E (13 de março) – deitaria raiz na ressaca global do 3G. As gigantes européias estão gastando os tubos e devendo os cabos na recente ‘‘compra do vento’’ das novas licitações. Algo parecido com US$ 33 bilhões na Inglaterra ou US$ 48 bilhões na Alemanha.
Abruptamente descapitalizadas em casa, endividadas em banco e desvalorizadas em bolsa, as operadoras globais deram de reduzir a marcha do andor, que o celular ainda é de barro. Não há fluxo de caixa descontado para bancar retorno seguro antes de 2010. A exemplo das pontocom da Internet, a farra das teles já acabou.


SECOS & MOLHADOS

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