‘‘Os analistas do mercado financeiro previram nove das duas últimas recessões nos Estados Unidos.’’
Paul Samuelson, Prêmio Nobel de Economia
Stop and go 2001
Nada de novo na frente ocidental. Alan Greenspan e vetustos pares do Fomc do Fed aplicaram ao pé da letra e da taxa o receituário monetarista da Escola de Chicago: a) quando a economia acelera, atiçando as lombrigas da carestia, aplica-se nela um moderador de apetite da série ‘‘stop’’, feito de alta dos juros e corte dos créditos; b) quando a economia resvala do aclive para o declive, ameaçando negócios, lucros, salários e empregos, injeta-se nela um revitalizador do tipo ‘‘go’’, com redução dos juros e ampliação dos créditos.
Bingo! O Fomc nem precisou esperar pela reunião ordinária de 30/31 de janeiro para rebaixar a taxa básica de 6,50% para 6%. Ela estava congelada desde 16 de março. E essa redução de meio ponto porcentual, de uma só penada, não se via desde junho de 1991.
E não foi para menos. O nível da atividade industrial, divulgado na véspera, foi o mais baixo desde abril daquele mesmo ano (1991).
O próprio PIB americano já havia jogado a toalha antes do réveillon. A taxa anualizada caíra para 2,4% no quarto trimestre, ante 5,6% no segundo. Sem contar o refluxo das bolsas, por onde transita o pé-de-meia coletivo de metade das famílias americanas.
Yes! O mercado acionário, barômetro do estado de espírito do turbocapitalismo, já estava passando de meia década de ‘‘irracional exuberância’’ (Greenspan) para meio ano de ‘‘irracional insegurança’’ (Krugman). O tombo desse Efeito Riqueza, desde o pico de março, é que teria precipitado a ‘‘parada técnica’’ da locomotiva americana.
E o que teria provocado o pouso não muito suave das bolsas estacionadas em Wall Street? No ano, queda acumulada de 6,2% na Nyse (velha economia) e de 39% na Nasdaq (nova economia). Esta começara o ano com queda de 7,2% – quebrando de vez o gelo da taxa básica do Fed. O quase ‘‘crash’’ da Nasdaq teve a ver menos com a austeridade monetária de Greenspan e mais com a apoplexia da própria ‘‘irracional exuberância’’ (que é uma bolha e não uma onda).
Na terça-feira à noite, Greenspan conversou por telefone com os sete pares do Fomc e sentiu on-line um certo cheiro de pólvora: não o de uma recessão ou de uma deflação na economia real, mas o de uma implosão no mercado de capitais. Cuja lógica do pânico tem a mesma correia de transmissão da lógica da euforia, vulgo Efeito Manada: 1) as expectativas de alta provocam a alta, que sanciona as expectativas; 2) as expectativas de baixa provocam a baixa, que sanciona as expectativas. Também por aí, nada de novo na frente ocidental.


SECOS & MOLHADOS

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