Joelmir Beting
A desaceleração revelou-se dramática. Já estamos perto do crescimento zero.
Alan Greenspan, no Senado (25/1/2001)
Fed no stop and go
Quatro em cada cinco analistas financeiros de Wall Street apostam em nova redução de meio ponto porcentual na taxa básica do Fed. O martelo está na mão direita de Alan Greenspan, o senhor do stop and go da economia de quase US$ 10 trilhões, em 2000.
Seria a primeira vez, na Era Greenspan, inaugurada em 1987, no governo George Bush, o pai, que a autoridade monetária daria uma navalhada de um ponto porcentual em menos de 30 dias. No dia 3, corte de 6,50% para 6%. Hoje, no garimpo da Bloomberg, o piso seria rebaixado para 5,50%, com inclinação para 4,75%, até junho.
Um novo corte de 0,50% faria a alegria cívica do salão oval da Casa Branca, onde se dá a decolagem do governo George Bush, o filho. Cujo secretário do Tesouro, Paul ONeill, pinçado da Alcoa, é amigo chegado de Alan Greenspan.
Tudo em família. O principal conselheiro econômico de Bush, o professor Lawrence Lindsey, ex-braço direito de Greenspan no Fed, é o nome mais cotado para substituir o próprio Greenspan, a partir de julho de 2004. Claro, se Greenspan, então com 78 anos, não topar uma quinta indicação consecutiva para o comando do Fed.
Havia, até a semana passada, uma rota de colisão entre Bush e Greenspan. O presidente reafirmara no discurso de posse a principal promessa de palanque: a redução fatiada da carga tributária, desova calculada de um superávit orçamentário construído por Clinton para desfrute de Gore...
Atiçado por Paul ONeill, o presidente recém-empossado ousou espichar a intenção de corte, em dez anos, de US$ 1,3 trilhão para US$ 1,6 trilhão. Em sua prestação de contas ao Senado, quinta-feira, Alan Greenspan admitiu o refresco tributário tático e tópico, sem abrir mão do viés de baixa na base dos juros
Mais sensível que a corda de um violino, o mercado financeiro fez a seguinte releitura das entrelinhas de Greenspan: a) o medo da recessão é bem maior do que se atribuía ao próprio Greenspan antes da posse de Bush, dia 20; b) só um novo corte de 0,50% nos juros do Fed seria capaz de reverter as expectativas reducionistas das empresas e as guinadas defensivas dos consumidores.
MMonetarista enrustido, Alan Greenspan daria preferência a uma redução da dívida pública e não a uma redução da carga fiscal na alocação dos esperados superávits orçamentários. Ocorre que, também nos tratos da política monetária, certas competências técnicas dobram os joelhos diante de certas conveniências políticas.
Secos & Molhados
Populismo?
- No Senado, Greenspan disse, textualmente, que a economia já estava a uma curva do crescimento zero. Portanto, em situação de emergência, a saída mais ousada seria também a mais segura: redução de impostos e não redução de dívidas.
Refresco?
- Ocorre que os primeiros indicadores de consumo do ano apontam para uma reativação surpreendente nos imóveis e nos automóveis. No varejo de discos e livros, as vendas discretas de janeiro superaram as vendas ruidosas de dezembro.
Não acabou
- Sim, o mundo não vai acabar em 2001. Não houve vácuo institucional na transição de governo. Os combustíveis pararam de subir. As ações pararam de cair. E o próprio Fed baixou os juros e a crista no dia 3. Os consumidores simplesmente saíram da toca, realizando a demanda reprimida no Natal mais fraco desde 1992.
Megabola
- No domingo, 28, fechando a roda, 130 milhões de americanos ficaram plugados no jogo do ano pela televisão - o Superbowl. Com a CBS faturando US$ 156 milhões em 60 comerciais de 30 segundos. E cosi la nave và.
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