Joelmir Beting
‘‘Receita para o sucesso? Simples: levantar cedo, trabalhar muito e descobrir petróleo.’’
John Paul Getty Jr. (1892-1976), magnata americano
Um milhão de barris
Um milhão de barris por dia. Eis a meta da Petrobrás para dezembro deste ano. Em julho, a produção diária já está acima de 900 mil barris. A importação contenta-se com 550 mil. Para extrair 1 milhão de barris no pico, a Petrobrás investe, este ano, R$ 3 bilhões. Claro, se o governo não atrapalhar.
Seguinte: o Ministério do Planejamento está cobrando da estatal um corte de até 27% no orçamento para este ano. Uma navalhada de R$ 810 milhões no lombo de contratos e de serviços em andamento. É como desligar uma turbina de Jumbo em pleno vôo. O presidente Joel Mendes Rennó diz à coluna que ‘‘ainda dá para negociar um corte bem menor com o acionista majoritário’’. O ministro Raimundo Brito, das Minas e Energia, vem tratando do assunto com os ministros do Planejamento e da Fazenda.
A exigência do corte orçamentário é meramente contábil. Ela veste a camisa da austeridade fiscal. O ministro Antônio Kandir lembra que a Petrobrás, ainda estatal monopolista, faz parte da contabilidade geral do setor público (deficitário). O próprio FMI impõe esse mesmo conceito nas contas de seus 174 países membros. ‘‘São os ossos do ofício da empresa estatal’’, suspira Joel Mendes Rennó. Para quem a flexibilização do monopólio dará maior autonomia de gestão à Petrobrás. Que não será privatizada.
Aumentar a produção diária para até 1,5 milhão de barris por volta do ano 2000 vai exigir investimentos de R$ 10 bilhões no triênio. Esse objetivo não é leonino, diz Rennó: ‘‘Reservas provadas e reservas prováveis garantem essa tiragem diária. Não temos limitações de recursos materiais e humanos e essa meta está dentro da capacidade de reinvestimento da empresa. Que, por sinal, passa a contar com ampla parceria com o setor privado em todas as áreas operacionais.’’
A nova Lei do Petróleo zera a contagem regressiva para o lançamento de uma primeira grande leva de contratos com o setor privado. A Petrobrás já definiu um portfólio de 138 projetos de parceria para as áreas de exploração e produção. Perto de 70 empresas nacionais e estrangeiras já manifestaram interesse nessa participação. Elas também querem disputar concessões para projetos próprios ou diretos - assim que receberem o sinal verde da estreante Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Nas estimativas da Petrobrás, o setor privado acrescentaria mais 30% ao total de investimentos no triênio 1998/2000.Estratégia
- Aumentar a produção nacional é exigência da balança comercial deficitária. De sobremesa, maior fatia do petróleo nacional no ‘‘mix’’ do consumo interno alarga a margem de rentabilidade da Petrobrás. O petróleo nacional é mais barato.
Moderação
- Projeções de investimento e de produção jogam com expectativa de expansão anual de 6% para o consumo interno de derivados. Aumento moderado para um Brasil ainda em processo de ‘‘motorização’’ progressiva.
Privilégios?
- Joel Mendes Rennó sustenta: ‘‘Não haverá privilégios adicionais nem residuais para a Petrobrás no diploma da flexibilização do monopólio. Isso inviabilizaria a própria flexibilização, afastando parceiros e competidores privados.’’
Mapeamento
- Com a aprovação da nova Lei do Petróleo, a Petrobrás tem 90 dias para demarcar e reivindicar, junto à ANP, as áreas que pretende continuar explorando.

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