‘‘Evite ser profundo na análise dos problemas sociais. Na maioria dos casos, as causas são superficiais.’’
Ralph Waldo Emerson (1803-1882), filósofo americano
Economia da saúde - 2
Vamos aos sete choques de transição da Economia da Saúde no Brasil. Recombinados, eles dramatizam a urgência de reformas no sistema brasileiro. Reformas em discussão, neste fim de semana, na 11.ª Conferência Nacional de Saúde, em Brasília.
Transição demográfica. Quatro quintos da população brasileira já vegetam nas cidades cada vez mais insalubres. Com a queda das taxas de fertilidade e de mortalidade infantil e com a alta da longevidade dos idosos, a pirâmide etária transmuda-se para o perfil de uma futura cebola etária (padrão europeu). A pressão sobre a seguridade social cresce com o avanço da chamada Terceira Idade.
Transição epidemiológica. A vacinação em massa reduz a infestação de doenças evitáveis e transmissíveis. A expansão do saneamento básico faz declinar a mortalidade infantil. Mas moléstias erradicáveis reaparecem, novas doenças contagiosas entram em cena e espalham-se os males da vida moderna (câncer, hipertensão, obesidade, depressão e cardiopatias).
Transição ambiental. A poluição da pobreza junta-se com a poluição da riqueza. Poluentes orgânicos e químicos, na cidade e no campo, desencadeiam doenças de caráter cumulativo. A coleta de esgoto domiciliar avança, mas ainda deixa 23% da população urbana na fossa negra. Dos dejetos coletados, apenas 8% são tratados. No lixo urbano, nada além de 3% da coleta é reciclada ou isolada.
Transição institucional. A falência da Previdência deixou a Saúde na rua da amargura. A municipalização do sistema (SUS) está longe de resolver a carência orçamentária do setor. A concentração da renda e a transição demográfica agravam o quadro. A classe média refugia-se na Previdência complementar e na Saúde conveniada, ambas de domínio privado e com regulação ainda não madura.
Transição profissional. O setor experimenta choques de competência profissional na área médica e na gestão hospitalar. O fator limitante básico é menos o talento e mais o capital. A área da assistência médico-hospitalar também funciona como ‘‘indústria de capital intensivo’’, na mesma categoria do automóvel, da telefonia, da computação ou da petroquímica.
Transição econômica. Engastado na realidade do mercado, o estado de saúde da população está atrelado ao estado de saúde da Economia. Quando os negócios prosperam e os empregos e os salários melhoram, a sociedade como um todo rebaixa os índices de estresse, angústia, insônia, depressão e violência. Vamos nessa?


SECOS & MOLHADOS

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