‘‘O homem que mais vive não é o que conta mais anos. O homem que
mais vive é o que conta mais sonhos.’’
Omar Fontana (1927-2000), aeronauta e empresário
O pouso da águia
Com Bush ou sem Bush, o importante é ter Greenspan até junho de 2004 e, se possível, até junho de 2008. Eis o suspiro de 7 em cada 10 cidadãos americanos perplexos. Yes, perplexos com a ópera-bufa The Florida Vote, digna de ser encenada na Broadway, com texto póstumo do jornalista Henry Louis Mencken (1880-1956). Que deixou gravado: ‘‘A política é a arte de administrar o circo a partir da jaula dos macacos.’’
‘‘In Greenspan We Trust’’ pespegou na capa a revista Fortune, no auge do ‘‘crash’’ asiático, novembro de 1997. Pois o provecto presidente do Fed, banco central americano, deixou escapar o óbvio na semana passada: se a atual desaceleração da economia americana sinalizar pouso forçado (problema) em vez de pouso suave (solução), os 12 pares do Comitê de Mercado Aberto do Fed, vulgo Fomc, não vacilarão em soltar as amarras da atual austeridade monetária, no justo figurino da escola monetarista do ‘‘stop and go’’.
Na próxima terça-feira, em sua última reunião do ano, o Fomc ensaia avalizar essa carta de intenção de Greenspan: sem rebaixar a taxa básica de 6,50%, seu mais alto nível desde maio de 1991, a autoridade monetária pode trocar o viés de alta pelo viés neutro, na direção do viés de baixa na primeira reunião de 2001, em fins de janeiro, culminando com a baixa efetiva na segunda reunião, em março. O mercado a futuro de juros já faz posição nessa bússola.Incluído o nosso Copom do Banco Central.
E tome discussão acadêmica sobre os ‘‘fundamentos’’ da desaceleração americana. Fadiga do material, ao fim e ao cabo de toda uma década de crescimento econômico com estabilidade monetária? Parece ser este o diagnóstico favorito. Fadiga detectada no quase estouro da bolha da Nasdaq, desde abril. Uma queda acumulada de 33% no valor de mercado da bolsa digital – que concentra as estrelas da infoeconomia e da biotecnologia – coloca na retranca o chamado Efeito Riqueza usinado pelo mercado de ações.
Seguinte: as bolsas americanas, dentro e fora de Wall Street, estocam uma riqueza coletiva de US$ 17,1 trilhões (valor de mercado em 30 de novembro). Em 29 de fevereiro, esse pé-de-meia nacional (57% das famílias, 39% das empresas e 4% dos governos), administrado por bancos e fundos, estava avaliado em US$ 19,7 trilhões. Em nove meses, uma perda em bloco de US$ 2,6 trilhões. Exatamente quatro PIBs do Brasil.
Navalhada tida como suficiente para fazer o PIB americano de US$ 10 trilhões baixar a bola de 5,2%, em 2000, para 3,5% em 2001. O tal de pouso suave.


SECOS & MOLHADOS

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