JOELMIR BETING
Há três tipos de governo: 1) o que faz acontecer; 2) o que assiste acontecer; 3) o que nem sabe o que acontece.
George Santayana (1863-1952), filósofo americano
Brusco ou suave?
Senhor da moeda, Alan Greenspan fez discurso de 55 minutos para 458 banqueiros e deixou gravados nas entrelinhas dois recados supimpas: 1) o pouso deve ser suave, mas, se pintar pouso brusco, na travessia de 2001, o Fed não vacilará em jogar espuma na pista, rebaixando os juros da base e reabrindo as comportas do crédito; 2) a prosperidade econômica, sem inflação, continuará atrelada menos à austeridade monetária do banco central (ou à neutralidade fiscal da Casa Branca) e mais aos ganhos continuados de produtividade das empresas e aos choques de competição dos mercados.
Sem mistério nem surpresa. O próprio Greenspan já vinha transitando por essas mesmas entrelinhas desde que o Fomc, comitê de juros do Fed, iniciou a escalada purgativa das taxas do piso, em junho do ano passado. Ele adiantou, na ocasião, que confiava no efeito neutralizador exercido pela produtividade no front da guerra santa contra uma eventual rebrota da inflação (de demanda). Disse, igualmente, que uma overdose de arrocho monetário, de efeito recessivo, seria corrigida pela redução pontual dos juros, no figurino monetarista do stop and go. Discurso retomado terça-feira em Nova York. Se a desaceleração do PIB superaquecido resultar em pouso forçado (hard landing), com perda de renda das famílias e de lucro das empresas, o Fed não vacilará em colocar os juros no viés da baixa. A taxa atual (6,50%) é a mais elevada desde maio de 1991.
O que seria uma desaceleração inaceitável? Para Michael Moskow, presidente do Fed de Chicago, seria uma queda do PIB de 5,2%, em 2000, para menos de 3%, em 2001. E qual seria o calibre de um pouso suave (soft landing), apresentado como solução e não como um problema? Moskow arrisca algo parecido com 3,5% em 2001 e 3% em 2002. Com desemprego passando de menos 4% para perto de 5%. E inflação sempre abaixo de 2,5%.
Sondagem do banco Morgan Stanley, logo após o discurso de Greenspan, revela que para 73% dos investidores consultados o pouso será suave, com adoção pelo Fed do viés neutro na reunião de 19 de dezembro e do viés de baixa na reunião de 31 de janeiro. A taxa atual de 6,50% seria mantida até março. Se necessário, ela chegaria em junho na marca de 6%. O novo piso poderia ser mantido por todo o segundo semestre.
Resumo da ópera: nada de novo na frente ocidental. Analistas alarmados continuarão produzindo manchetes alarmistas.
SECOS & MOLHADOS





