Joelmir Beting
Nos últimos 25 anos, os novos economistas adivinharam nove das duas últimas recessões da economia americana.
Paul Samuelson, Prêmio Nobel de Economia (1970)
Águia pede água
Pouso suave ou pouso forçado? Metade dos analistas americanos sustenta que chegou a hora de a águia beber água. Ao fim e ao cabo de toda uma década de prosperidade econômica com estabilidade monetária, o PIB dos R$ 10 trilhões emite sinais e chiados de fadiga do material. Uma questão de física aplicada.
A aposta na desaceleração continuada, que ainda terá de passar pela bolha natalina de consumo, desfruta de credibilidade meridiana. Por uma simples e boa razão, assim encaixada pelo professor Vassily Leontief (1906-1989), na cerimônia do recebimento do Prêmio Nobel de Economia de 1973: Fazer projeções pessimistas é sempre um ótimo negócio para o analista econômico. Se tais previsões se confirmam, o autor delas é um gênio. Se elas não se confirmam... bem, ele dirá que tomaram providências com base em suas advertências. Ou seja: o pessimista nunca erra.
Eis que a palavra recessão reaparece em grande estilo na multimídia made in Usa e abusa. Com a mesma pressa com que os analistas políticos deram o furo da vitória de Bush; perdão, de Gore; ou melhor, de Bush, certos consultores do mercado financeiro (os tais garotos de 29 anos, como diz Krugman) servem-se da mídia para anunciar aos quatro ventos on-line que a farra acabou.
Sim, a economia americana ignorou a gripe do México (1995); morreu de rir do sufoco da tigrada asiática (1997); ignorou a quebradeira do urso que virou bode, a Rússia (1998); e ainda pensa que Buenos Aires é a capital do Brasil, vizinho da Bahia, capital Rio.
De repente, com radiador soltando vapor, ela tira o pé do acelerador e o mundo inteiro engaveta-se na rabeira dela... Deve ser o tal de bug do milênio com um ano de atraso.
Uai! Cadê o Greenspan? diria Itamar. O senhor da moeda continua de plantão. Assim como a puxada nos juros básicos do Fed é apontada como o retromotor da felicidade nacional bruta, uma aliviada cautelosa do mesmo garrote monetário recolocaria o gigante em marcha. Certo? Os economistas dão a esse painel de controle analógico o nome de stop and go, usinado pela escola monetarista de Chicago.
O problema é que o viés pessimista de qualquer analista não deixa por menos: ligeira alta na taxa do piso desaquece a economia e ligeira baixa na mesma taxa não produz o efeito inverso... Freud explica? Nem Friedman.
SECOS & MOLHADOS





