Em nome do ‘‘simples repasse da inflação passada’’, buscava-se ganhar mais sobre menos, cada vez menos. Agora, dá-se exatamente o contrário: o negócio é ganhar menos sobre cada vez mais. O lucro desloca-se da unidade para o volume. Duas forças telúricas patrocinam essa guinada de ‘‘rationale’’ econômica do varejo, com sobras para os fornecedores da indústria e da agricultura: a estabilização da economia e a competição do mercado.
A estabilização, no caso brasileiro, se faz acompanhar da desindexação dos preços livres. Rompeu-se a correia de transmissão automática da inflação dita inercial. A competição veio para ficar. O grau de concorrência nos terminais do varejo não tem paralelo até passado recente. ‘‘As margens de lucro nunca foram tão estreitas’’, diz Paulo Afonso Feijó, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Estabilização e concorrência enchem a bola e a bolsa do consumidor. Que também entra de sola na mesma jogada, tornando-se cada vez mais exigente, seletivo e pechincheiro. Ou, como diz Trevisan, ‘‘cada vez menos compulsivo’’. Nas compras pelo crediário, pelo cartão de crédito ou pelo cheque pré-datado (por onde transita o consumo irrefletido) haverá catequese melhor para a privação e a renúncia que a inadimplência do biênio 1995/96?Integração

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