Joelmir Beting
Daqui a sete anos, não mais haverá empresas de Internet. Todas as empresas serão de Internet. Ou terão sumido.
Andy Grove, presidente da Intel (outubro de 1999)
A fonte secou?
Havia mais capitais que projetos no ecossistema virtual da Internet. Quando? Até 1998. Investidores de risco caçavam novas idéias ou novas empresas pontocom feito garimpeiros em Serra Pelada, então perpetuados no formigueiro lamacento pelas lentes de Sebastião Salgado. Lembram-se?
O ano da verdade não está sendo este 2000, perto do final. A queda na real deu-se em 1999. Foi no quarto trimestre do ano passado, há exatamente um ano, que veio à luz a primeira separação do joio do trigo na avaliação (ainda hoje nebulosa) da chamada Nova Economia pero no mucho.
A reversão da irracional exuberância, subproduto de uma irracional ignorância coletiva sobre a natureza do fenômeno, ocorreu nas mesas dos fundos de capital de risco, antes de abalar as bolsas de valores, pirotecnia da pontocomania. Esse abalo, de 8 graus nos sismógrafos de Wall Street, só foi registrado em abril deste ano.
Foi quando os operadores do mercado financeiro, os jovens de 29 anos, segundo Paul Krugman, passaram a discutir nos bares e nos lares a redescoberta da roda: um tal de fluxo de caixa descontado. Era preciso apelar para um fundamento da velha econometria para entender os desdobramentos da (des)valorização do bloco high-tech da Nasdaq. Ou melhor: para não mais confundir gato com lebre.
Os fundos de risco deram uma trégua na euforia dos pregões (a Nasdaq acumulou ganho médio de 86% em 1999) e estabeleceram, para uso interno, uma clara distinção, numa mesma pontocom, entre lucros absurdos em bolsa e pesadas perdas no balcão. E tome a velha cartilha do tal de fluxo de caixa descontado...
Resultado: nos Estados Unidos, os fundos de capital de risco reduziram os investimentos em novos negócios pontocom de US$ 32,4 bilhões, em 1999, para US$ 12,5 bilhões, de janeiro a outubro deste ano, na estimativa da IDC. As novas empresas, a exemplo das pontocom já instaladas (com algum histórico de desempenho nos negócios e não nas bolsas), estão sendo avaliadas no presente pela capacidade de gerar receitas e ganhos no futuro.
O problema para essa aposta no futuro, sobretudo no caso de uma pontocom zero-quilômetro, está na dificuldade de escolher a taxa de desconto adequada para o cálculo do valor presente daqueles ganhos futuros. Essa taxa deve refletir um retorno apetitoso, cotejado com o de outras alternativas de investimento aqui no presente. Fácil, não?
SECOS & MOLHADOS





