Joelmir Beting
A queda da Nasdaq não é o início do fim. A queda é, simplesmente, o fim do início.
César Souza, consultor
A bolha murchou
Boa notícia. A bolha não estourou. A bolha, simplesmente murchou. A bolha da irrational exuberance instalada na primeira bolsa virtual do mundo, a Nasdaq americana. Ninho chipado de quase 5 mil jovens empresas da infoeconomia e da biotecnologia.
No ano, até ontem, a Nasdaq acumula queda de 42% nas empresas do primeiro grupo, dando ao índice um tombo médio de 33%. Qual é o grilo? Um desconto de 33% sobre uma valorização de 86% no ano passado. Ou sobre um ganho acumulado de 278% desde 1995, decolagem da Internet pontocom.
O problema é que a análise do mercado tem sido pendular e frívola: o máximo de sensacionalismo na alta e o máximo de catastrofismo na baixa. Ora, quem não sabe explicar por que ela dispara, também não consegue entender por que ela despenca.
E os que dizem saber uma e outra coisa não deixam por menos: a) a alta para mais de 5.100 pontos, até março, não passou de especulação ensandecida, sob um único dedo em riste, o de Greenspan; b) esta baixa purgativa para menos de 2.800 pontos agora em novembro, nada mais é que o sumiço da confiança dos investidores nos fundamentos da autodenominada Nova Economia. Ou seja: a alta é gandaia, a baixa é técnica, dizem eles.
E, tal como se deu na abertura do câmbio aqui no Brasil, esse ajuste de mercado é uma solução e não um problema. E muito menos uma tragédia do tipo recessão global em 2001. A queda da Nasdaq não é o início do fim da infoeconomia o reator digital da prosperidade americana, que já dura uma década. Tudo não passa do início do fim da irracional exuberância (feita de piramidal ignorância) que recepcionou a primeira onda da Nova Economia.
Um expurgo natural de mercado, que é do ramo darwiniano do expurgo. Ou se preferem: um descarte que só faz por aumentar e acelerar a musculação das empresas consistentes, no on-line e no off-line, que sobreviverão ao processo. O tal de fim do início de que nos fala César Souza, do Monitor Group e da Wharton School, em ensaio para a revista Exame, já nas bancas.
Claro, entre mortos e feridos não escaparam todos desse crash real do reino virtual do Midas made in Wall Street. Um total de 132 empresas cotadas na Nasdaq, em janeiro, fechou as portas oníricas, desde abril. Das quais, 98 do varejo B2C. Outras 36, ainda sobreviventes, perderam, até ontem, mais de 80% do respectivo valor irracional de mercado.
SECOS & MOLHADOS





