Discussão falsa?

A redução do famigerado Custo Brasil, novo disco voador da contabilidade econômica verde-amarela, vai precisar de mais cinco anos, no mínimo, para desobstruir os gargalos institucionais, legislativos, burocráticos, tributários, financeiros, trabalhistas, operacionais e estruturais. Uf! O importante é que a discussão veio à tona e a desobstrução já começou.
Assinado: José Roberto Mendonça de Barros e Lidia Goldenstein, respectivamente secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e pesquisadora do BNDES. Em alentado ensaio a quatro mãos sobre a etiologia do Custo Brasil, os autores provocam: ‘‘O processo de reestruturação industrial já resultou em ganhos de produtividade que tornam o debate sobre o atraso cambial, na forma como vem sendo encaminhado, uma falsa discussão.’’
Seguinte: os críticos da sobrevalorização da moeda nacional sustentam que ela condena o Brasil a se contentar com baixas taxas de crescimento econômico. Câmbio defasado desacelera o ritmo das exportações, enquanto estimula o avanço das importações. O déficit comercial, assim contratado (porque também ampliado pela redução das tarifas de importação), acaba repercutindo na política de arrocho monetário, recessiva por vocação. Simplesmente porque, perdendo divisas na conta de comércio, o governo se obriga a incentivar a captação delas na conta de capital. De que maneira? Levantando os juros aqui dentro para seduzir investidores lá fora.
Para Mendonça de Barros e Lidia Goldenstein, essa crítica esconde na sua coerência linear uma ‘‘falha básica’’: parte do suposto de que tudo o mais na economia brasileira está parado no ar. Como se todo o funcionamento dela dependesse realmente de um câmbio supercalibrado. Ou mesmo de um juro supercomportado. Não é isso. Os autores preferem conceder importância maior ao processo de modernização das empresas, iniciado pela ‘‘collorstroika’’ de 1990/92.
Eles reconhecem que a avaliação dos ganhos de produtividade na economia em geral e no setor industrial em particular ‘‘ainda joga com dados imprecisos e rarefeitos’’. Mas ponderam: ‘‘Seria no mínimo incorreto ignorar esses avanços em razão da dificuldade de sua avaliação prematura. Seria igualmente equivocado não introduzir esses mesmos ganhos na discussão sobre o tal de atraso cambial.’’

Enxugando

- Também em processo de modernização, o Banco do Brasil acaba de decretar o fechamento de cinco representações no Exterior: Roma, Barcelona, Zurique, Toronto e Pequim. A ordem é maximizar o volume de negócios por unidade aqui dentro e lá fora.
Tudo bem?
- Passei a lista a empresários de comércio exterior e eles torceram o nariz na tarde de ontem. Roma ou Barcelona, ainda vai. Na Itália, a agência de Milão, mais bem situada, dá conta do recado. Na Espanha, a agência de Madri também segura a barra.
Decolando
- Zurique não cheira e não fede. Hamburgo, Frankfurt, Paris, Londres e Milãodispensam Zurique. O que não dá para entender é o fechamento de Pequim e Toronto. Pequim é o futuro de negócios bilionários de meio mundo, Brasil no meio. Lá, o pior passou.
Embaixada
- Toronto é a porta de entrada do Canadá, membro do Nafta. O Banco do Brasil, ali, funciona como embaixada brasileira e central de intercâmbio desde 1975. O comércio bilateral Brasil-Canadá sobe feito rojão de vara. Com visita de FH no ano que vem.

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