‘‘Na química ou na física, toda nova lei dura para sempre. Na economia, teorias antigas e novas são efêmeras.’’
Paul Samuelson, Prêmio Nobel de Economia (1970)
Festa ainda maior
A escolha presidencial mais equilibrada de todos os tempos acabou dando carona a uma rediscussão acadêmica dos fundamentos da prosperidade econômica de toda uma década e de sua sustentabilidade (ou não) no próximo governo.
Esse exercício intelectual, como nunca antes sob osholofotes da mídia, ousa finalmente passar ao largo da austeridade monetária de Greenspan e da neutralidade fiscal de Clinton para localizar o reator da nova Felicidade Nacional Bruta nos ganhos de produtividade do sistema mais poderoso e mais competitivo do planeta.
Hureca! Até mesmo alguns dirigentes regionais do Fed, banco central americano, passam a dar a mão à palmatória. Eles já admitem publicamente (Reuters, 3/11/2000) que a modernização da economia tem feito mais pela expansão dos negócios, dos empregos e dos salários, em regime de estabilização dos preços, que a elevação da taxa básica do Fed ou que o superávit orçamentário do governo. O próprio Greenspan já havia reconhecido isso, com ressalvas, em seus pronunciamentos do primeiro semestre.
Eis que o professor Michael Boskin, de Stanford, um dos nomes cotados para a sucessão de Greenspan no mesmo Fed, chuta o pau da barraca acadêmica e provoca: a produtividade americana está sendo subavaliada por um anacronismo metodológico. Ela é maior do que se pensa. Portanto, o PIB oficial deve ser igualmente maior que o contabilizado, assim como a inflação deve ser menor que a oficialmente calculada.
Tradução: o limite de velocidade de crescimento da economia, sem a reativação da carestia, deve estar situado algo acima daquele fixado empiricamente pelo Fed de Greenspan. Para Boskin, reavaliar os indicadores de produtividade deveria ser a tarefa prioritária do Fed. Para a recalibragem da política monetária e para as expectativas de Wall Street, são indicadores mais importantes que os de emprego, de consumo, de crédito ou de bolsa.
‘Penso que os ganhos de produtividade da economia em geral estão sendo sistematicamente subestimados por todos nós’’, disse à Reuters, com todas essas letras, o presidente regional do Fed de Dallas, Robert McTeer. E, para qualquer autoridade monetária, diria o saudoso Simonsen, meia palavra vale mais que um discurso.


SECOS & MOLHADOS

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