‘‘Hoje é sempre o dia certo para fazer as coisas certas de modo certo. Amanhã já é tarde.’’
Martin Luther King Jr. (1929-1968), pastor americano
Ainda nos trilhos
O novo presidente dos Estados Unidos, destilado por uma eleição do tipo voto de Minerva, não terá massa crítica para alterar os rumos da economia americana na travessia de 2001. Até porque não se deve arriscar mudanças de curso para uma prosperidade econômica que já dura toda uma década. Com estabilidade monetária.
De resto, uma prosperidade resultante de um processo de mercado e não de um projeto de governo. Ou como escreve o professor Robert Shiller: ‘‘O único mérito de Clinton na expansão da economia tem sido o de não atrapalhar a evolução natural das coisas. O governo não questionou a austeridade monetária do banco central nem tirou proveito político do já consistente superávit fiscal.’’
Resultado: faltando apenas dez semanas para um mandato que durou oito anos, o governo Clinton fecha 2000 com um PIB acima de 5% para um IPC abaixo de 2% (expurgado do ‘‘oil shock’’). A taxa básica de juros tem gordura para permanecer no atual piso de 6,50%, o superávit fiscal deve ficar acima de 2,5% do PIB e a produtividade da economia ostenta um ganho anual de 6,2% – desde 1993.
Para 2001, admite-se para o PIB (de US$ 10 trilhões a dólar médio de setembro) uma desaceleração de 5,3% para 3,5%. Sem necessidade de uma nova chicotada nos juros. Mas há quem aposte, também para 2001, em PIB ainda na faixa de 5%. Façanha atribuída aos novos ganhos de produtividade do sistema. Portanto, ainda em estado de graça: expansão da economia sem rebrota da carestia.
Estudo da Organização Mundial de Comércio (OMC), divulgado terça-feira, adianta que as trocas globais devem fechar o ano com crescimento recorde de 10%. Um terço desse torque é atribuído ao PIB americano de 5,3%, locomotiva do planeta. As importações americanas cresceram 14,5% de janeiro a setembro e já passam de US$ 3 bilhões por dia! Como as exportações trafegam pela média diária de US$ 2 bilhões, temos que o déficit comercial deste ano bissexto aponta para um rombo telúrico de US$ 366 bilhões.
O novo presidente não vai perder o sono por causa desse único indicador econômico na contramão. As importações ajudam a manter a inflação na jaula. E não estão ‘‘destruindo empregos’’ dentro de um mercado de trabalho aquecido, turbinado mais pela realização de serviços do que pela fabricação de produtos. E a importação de serviços é desprezível.


SECOS & MOLHADOS

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