‘‘Como cheguei até aqui? Simples: o sol nunca me pegou na cama.’’
Thomas Jefferson (1743-1826), 3º presidente dos EUA
Gore ou Bush? Greenspan
O dia das eleições presidenciais mais emboladas em quatro décadas não mexeu com os nervos das bolsas americanas. Para os 83 milhões de investidores (de um total de 152 milhões de eleitores credenciados), o democrata Gore e o republicano Bush não passam das faces da mesma moeda dourada: a da provável manutenção do mais longo ciclo de prosperidade econômica sustentada.
Prosperidade econômica com estabilidade monetária. O mercado centrado em Wall Street posiciona-se para um PIB de 5,2% em 2001, com IPC abaixo de 2,5%. E mais: juros básicos de até 5%, com desemprego de até 4%. Qualquer que seja o herdeiro de Clinton no Salão Oval da Casa Branca de alegria.
Primeiro: a plataforma eleitoreira dos republicanos quase nada divergiu da plataforma não menos eleitoreira dos democratas. Segundo: a luz própria do jornalista Gore, 52 anos, vice de Clinton e batista de igreja, tem o mesmo brilho da luz própria do economista Bush, 54 anos, governador do Texas e metodista de religião. Ou seja: brilho nenhum.
Pelo histórico das próprias bolsas, até que os democratas deveriam ter livrado certa preferência nas urnas. O Índice Dow Jones registrou no século que termina um ganho anual médio de 9,7% (incluídos os ‘‘crashs’’ de 1929 e de 1987). Com a curiosa verificação estatística da corretora Instinet: nos governos republicanos, o retorno anual médio foi de 6,2%, contra 9,1% nos governos democratas.
Destaque para estes últimos oito anos da Era Clinton: rentabilidade anual média de 19,2%. Façanha chumbada à Década de Ouro da economia mais poderosa do mundo e da História, fechando o século com PIB de US$ 10 trilhões.
Na percepção do eleitorado (metade dele nem se deu ao trabalho de votar), a Casa Branca de espanto nada tem a ver com isso. A prosperidade com estabilidade não é uma penada de economistas e burocratas. É uma conquista de engenheiros (produtividade) e de empresários (concorrência).
Tivesse sido ela uma obra do governo Clinton, o vice Gore teria somado, ontem, pelo menos 70% da gratidão nacional.


SECOS & MOLHADOS

mockup