‘‘Regra nº 1: um cliente político, o eleitor sempre tem razão. Regra nº 2: se o eleitor estiver errado, siga a Regra nº 1’’
Herbert Hoover (1874-1964), 31º presidente dos EUA
Urnas & bolsas
Ano de eleições, com queda das ações, costuma vestir a camisa do partido na oposição – mesmo em regime de quase pleno emprego, na crista de toda uma década de prosperidade econômica com estabilidade monetária. É o que reconstrói um levantamento da Bloomberg News, desde o pleito presidencial de 1900.
O Efeito Bolsa, nas urnas, tem peso ainda maior agora em 2000. Por uma simples e meridiana explicação: metade da população americana já tem seu pé-de-meia plantado em ações. Quando o democrata Clinton afastou o republicano Bush do salão oval da Casa Branca, nas urnas de novembro de 1992, as bolsas andavam mal das pernas. Na época, os investidores individuais mal passavam de um terço do eleitorado. Agora, 53%.
Na histórica virada do democrata Kennedy sobre o republicano Nixon, em 1960, o Dow Jones acumulava no ano uma desvalorização de 12%. A escrita só não valeu em 1980, quando o republicano Reagan sucedeu ao democrata Carter. A bolsa havia escalado 12% de janeiro a novembro, mas a inflação, no mesmo período, cravava 12,4%, com recessão de 3,7%.
Para as urnas de terça-feira, o Efeito Bolsa (que tem sido traduzido nos últimos tempos por Efeito Riqueza) pode fazer a diferença na apertada vantagem que o republicano Bush estaria engatilhando sobre o democrata Gore: de janeiro a outubro, queda acumulada de 8,5% na Nyse e de 18,1% na Nasdaq.
Cabe lembrar os dados aqui publicados em 25 de outubro: os 83,4 milhões de eleitores americanos, com ações e fundos de ações na cabeceira, estocam um patrimônio coletivo da ordem de US$ 8,6 trilhões. Essa carteira acionária representa 26% da riqueza familiar, acima dos 24% da carteira imobiliária.
Esse Efeito Riqueza é que está turbinando uma expansão do consumo, este ano, de 7,3%. Consumo já equivalente a dois terços do PIB de quase US$ 10 trilhões. Um espanto! Os americanos estão gastando nas lojas e nos serviços parte dos ganhos do ano passado em bolsa (24% na Nyse e 86% na Nasdaq). Ganhos que também servem de lastro para o consumo recorde pelo crediário. Eles estão devendo, em bancos e lojas, US$ 6,7 trilhões.
Estive em Nova York na semana passada. A cidade está azeitada para o Natal mais eufórico do século, avisa a campanha antecipada da Macy’s. Claro, se a bolsa não implodir até lá.


SECOS & MOLHADOS

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