Joelmir Beting
Não é a economia global que está piorando. A percepção dela é que está melhorando.
Ronald Coase, Prêmio Nobel de Economia (1991)
Copiaram a copiadora
Uma das cinco marcas mais poderosas de todos os tempos, a Xerox orgulha-se de ter virado verbo. O leitor pode xerocar esta coluna. Com uma copiadora Canon ou Epson, por que não?
Aí é que mora o perigo: a Xerox está com água turva pelas sobrancelhas. Seu monopólio de fato caiu entre nós de 91% para 65% nos últimos oito anos. E vem aí a Canon japonesa com os chips todos, erguendo nos próximos nove meses sua primeira grande fábrica no Brasil. Ela quer abocanhar um terço do mercado brasileiro até 2003. Com sobras para a América Latina. A Epson responde com expansão dos negócios no País e a HP avisa que vai produzir também seus PCs entre nós.
O problema maior da Xerox brasileira está nos apuros da matriz americana que deu de perder mercado e dinheiro em quase todo o mundo. Ela vem sendo sistematicamente atropelada pelos novos competidores que se estabeleceram no locus e no focus das copiadoras da Infoeconomia. Eles souberam copiar a Xerox.
O balanço dos estragos está na edição desta semana da revista Dinheiro. A queda do Império da Cópia, com sua marca que virou verbo, é de arrepiar os detentores, em ramos diversos, dos novos monopólios de fato, sem a proteção cartorial dos monopólios de direito. Alguém ligaria as pontas: a Microsoft que se cuide!
Para a Xerox, a bolha de Wall Street já estourou feio. O preço de cada ação dela despencou, em 18 meses, de US$ 64,30 para US$ 7,10. E o valor de mercado da empresa, em bloco, desabou de US$ 43 bilhões para nada além de US$ 5 bilhões... Pode?
O chairman Paul Allaire anunciou, na semana passada, novas medidas cirúrgicas ou draconianas para evitar o colapso montante. A empresa deve nada menos de US$ 17 bilhões. Ou quase duas vezes e meia seu atual valor de mercado. E tome a venda de ativos de todo tipo de unidades de pesquisa a fábricas de copiadoras, passando por centrais de softwares e braços financeiros. Além, claro, de novos cortes de pessoal. No Brasil, o quadro já foi enxugado, ano passado, de 6 mil para 5 mil.
Há dez anos, a Xerox ainda era paradigma da excelência tecnológica e da hegemonia mercadológica. Seu famoso centro de pesquisas, em Palo Alto, ainda registra mais de 800 patentes por ano. Ali nasceu, entre outros ícones da Nova Economia, o nosso mouse de cada dia.
SECOS & MOLHADOS





