‘‘Na economia em rede, as empresas precisam descobrir que os clientes bem informados estão rindo à toa. Delas.’’
David Weinberg, consultor americano
Tamanho e conteúdo
A radiografia do esqueleto digital e a tomografia do cérebro virtual fazem o primeiro mapeamento completo (e transitório) da Internet brasileira, posição de setembro/2000. Essa façanha de pesquisa e análise do universo intangível da Web/Br é do Ibope eRatings.com – parceria do Ibope brasileiro com a americana ACNielsen.
Divulgado pela Veja, o estudo revela que já somos 14 milhões de internautas. O mercado chutava entre 6 milhões por baixo e 10 milhões por cima. A descoberta da pesquisa de campo surpreende pela dimensão da comunidade já conectada e pela velocidade com que a Internet se desloca em seu atual impulso de banguela.
Em apenas meia década, a taxa brasileira de inclusão na rede mundial já passa de 8% da população total. Marca que a telefonia estatal só logrou alcançar em 1996, quando completou exatamente um século de carreira entre nós.
Analisando os dados quantitativos e qualitativos da pesquisa, o consultor Gaspar Rondinelli Neto pondera: 1) a rede brasileira supõe a existência de um mercado potencial bem maior que o imaginado até aqui por investidores e empreendedores do setor; 2) a base de micros plugados na rede supõe a existência de um ‘‘importabando’’ igualmente bem maior que o imaginado até aqui por autoridades e fabricantes do ramo.
O impulso de banguela da Web/Br, capturado pelo Ibope eRatings.com, também causa espanto: outros 4,6 milhões de domicílios pretendem ingressar na Internet no ano que vem - o que bastaria para catapultar a população conectada para perto de 30 milhões. Taxa de inclusão de 18%. O novo salto começaria pela próxima bolha de fim de ano, o explosivo Natal da Internet.
O detalhe: 42% dos internautas brasileiros só navegam na Internet quando no trabalho ou na escola. Ou no cibervizinho ou no ciberparente. Perto de 5 milhões clicam os portais e os sites pelo menos uma vez por dia. Eles investem, em média, 11 minutos em sites de bancos para cada minuto plugado em sites de sexo...
Outra surpresa da mesma pesquisa: os brasileiros gastam 8 horas por mês na Web. Muito ou pouco? Pesquisa da ACNielsen em outros 14 países garante que só perdemos para os americanos, com 9 horas e meia. Empatamos com os japoneses e deixamos na poeira digital todos os europeus – incluídos os eufóricos escandinavos.


SECOS & MOLHADOS