‘‘O automóvel do futuro dependerá menos do petróleo e mais da Internet. A Oracle sabe disso. E a Opep?’’
David Cole, consultor americano
Rede de quatro rodas
Nova York – Montadoras americanas aprontam-se para testar, neste fim de ano, o potencial de compras e de vendas pelas infovias do e-commerce. General Motors, Ford e Daimler-Chrysler estão ensaiando os novos canais de suprimentros e de distribuição desde fevereiro. Com o suporte técnico da Oracle, Cisco e Intel.
Isoladamente ou em bloco, as três grandes dão carona, no próprio mercado americano, às subsidiárias da Renault, Toyota, Honda e Nissan, parceiras do megaportal Covisint, gigante do B2B automotivo.
Covisint? Criado em fevereiro, o portal já consumiu US$ 170 milhões e ainda aguarda o sinal verde da severa legislação de defesa da concorrência. Sim, porque o Covisint se apruma para monopolizar um mercado anual de US$ 750 bilhões. Que mercado? O dos suprimentos de peças, componentes, matérias-primas, máquinas, equipamentos e serviços – tudo o que entra em cada montadora pela porta dos fundos.
No espírito da rede global, o Covisint aceita fornecedor instalado em qualquer lugar do mundo. Operações já realizadas confirmam a previsão do principal animador do projeto, o vice-presidente da GM, Mark Hogan: redução de até 25% nos custos operacionais dos suprimentos.
Autêntico leilão reverso (de quem oferece preços menores e condições melhores), o Covisint é de alcance mundial e funciona em tempo real. Contratos que eram amarrados em dias ou semanas são agora ‘‘chipados’’ em horas ou minutos. E com o mesmo esquema on-line que cada fornecedor repassa em rede para os respectivos subcontratos.
Mark Hogan disse, em Wall Street, que o megaportal também abrigará contratos de gestão e consultoria na cadeia produtiva. Igualmente em tempo real, os fornecedores estarão informados sobre qualquer mudança no ritmo de produção, qualquer síncope na linha de montagem ou qualquer mexida no ‘‘mix’’ dos modelos em série.
Pioneira no B2B automotivo, a Ford pilotada por Jacques Nasser ainda não sabe o que fazer com seu portal exclusivo, o Auto-xchange.com de suprimentos. Ela opera em rede com 31 mil fornecedores espalhados pelo mundo, Brasil no meio. Com ele, a matriz de Dearborn teria poupado, este ano, mais de US$ 1 bilhão. Wall Street aguarda, para fevereiro próximo, a abertura do capital do Auto-xchange.com. Até porque sócias do portal, a Oracle e a Cisco não querem abrir mão dele.


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