‘‘O comércio exterior tornou-se a nova locomotiva das nações. Maior o grau de extroversão, maior a prosperidade interna.’’
Thomas Donohue, presidente da Câmara Americana de Comércio.
Diplomacia econômica
Nova York – Quem seria melhor para o Brasil no salão oval da Casa Branca: Albert Gore ou George Bush? Um mesmo governo democrata ou um novo governo republicano? Haveria de um para outro diferenças fundamentais de política externa?
Fiz essa pergunta a dezenas de empresários brasileiros no jantar de gala Personalidade do Ano, quinta-feira, no Plaza, promovido pela The Brazilian-American Chambre of Commerce of New York. A maioria não vê mudança alguma na eleição de Gore, vice de Clinton. Alguns entendem que a vitória de Bush poderia mudar alguma coisa – para pior. Os republicanos são protecionistas hereditários.
Maurício Botelho, da Embraer, preferiu ir direto ao ponto: Bush teria mais trânsito que Gore para arrancar do Congresso (de maioria republicana) a carta branca do ‘‘fast-track’’ para negociar e melhorar acordos e tratados comerciais com o Brasil e com o mundo.
Pois a diplomacia econômica constitui, hoje, a principal faixa de aderência (ou repulsão) entre os interesses brasileiros e as posições americanas. Sem o aval do ‘‘fast-track’’, a palavra final sobre comércio exterior desloca-se do governo para o Congresso. E o Brasil não tem lobby treinado para tamanha empreitada, como se viu até aqui.
O governo Clinton bem que moveu e removeu mundos e fundos para ganhar poder de decisão nessa matéria. A maioria republicana negou-lhe esse ‘‘status’’ de negociador soberano. E a bancada democrata, diga-se de raspão, não se empenhou com garra nessa empreitada. Por uma simples e boa razão: o liberalismo de comércio nada tem de popular junto ao eleitorado americano.
Ou como lembrou Luis Fernando Furlan, da Sadia: para os sindicatos americanos, as barreiras comerciais servem para proteger empresas locais (e empregos idem) contra a farra dos importados. Mesmo com elas, os Estados Unidos já estão importando US$ 3 bilhões por dia (e exportando apenas US$ 2 bilhões).
O certo é que, sem o tal de ‘‘fast-track’’ na mão, o futuro presidente não terá como ser ouvido com respeito nos fóruns internacionais de comércio. Nem como resolver na caneta os inúmeros (des)acordos bilaterais com parceiros do porte da União Européia, do Japão, da China. Com sobras para o Brasil.
Ao governo americano interessa consolidar o Nafta de hoje e monitorar a Alca de amanhã. O primeiro não tem problemas com o Canadá, mas encara melindres com o México. O segundo ainda não conseguiu seduzir o Brasil nem animar a Argentina.


SECOS & MOLHADOS

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