Joelmir Beting
Não existem soluções prontas. Existem forças em marcha. Monitorando essas forças, as soluções acontecem.
Henry Ford (1863-1947), industrial americano
Na tecla em dó
Nova York O nome do jogo é discriminação. Sim, o Brasil tem massa crítica para despontar, em menos de uma década, como o quinto maior global player. O problema é que continua injustamente barrado no baile do comércio internacional pelas práticas comerciais protecionistas (e discriminatórias) dos Estados Unidos, da União Européia e do Japão.
Eis a linha do discurso do nosso ministro das Relações Exteriores, embaixador Luiz Felipe Lampreia, em todos os auditórios que anda pegando pela frente fora do País. Esta noite, aqui em Nova York, ele pretende tocar esse samba de uma nota só para um público seleto e festivo: os 1.200 empresários americanos e brasileiros que estarão no The Plaza para o Annual Person of the Year Awards Dinner.
Em sua 31ª edição, a premiação Person of the Year contempla empresários, funcionários e diplomatas que tenham contribuído para o estreitamento das relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos. Promoção badalada da The Brazilian-American Chamber of Commerce, turbinada, desde 1970, por Vicente Bonnard, escoltado por executivos brasileiros residentes em Nova York.
Este ano, pelo lado brasileiro, foi eleito o chanceler Luiz Felipe Lampreia. Pelo lado americano, o empresário Roger Sant, chairman of the board da AES Corporation, gigante da energia elétrica e sócia de peso em quatro concessionárias já privatizadas aqui no Brasil.
Fiquemos no discurso da festa. O ministro vai morder e assoprar, como convém a um jantar de smoking. Primeiro: abaixo as barreiras comerciais nos dois lados do Atlântico Norte. Segundo: viva a antiga comunhão de interesses econômicos e estratégicos entre Brasil e Estados Unidos. Terceiro: um alívio no primeiro dará força ao segundo para a instalação, em 2005, sem grilo verde-amarelo, da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
OO ministro Luiz Felipe Lampreia retoma o fio da meada do seu duro pronunciamento, aqui mesmo em Nova York, em 12 de setembro, na solenidade de abertura da 55.ª Assembléia-Geral da ONU (o Brasil tem o privilégio, todo ano, de falar em nome do mundo).
Com o adendo: se o protecionismo dos ricos dificulta a assunção dos emergentes em geral, em relação ao Brasil existe a sobrecarga ostensiva de práticas discriminatórias em certos produtos agrícolas e manufaturados (até mesmo em favor de outros países da América Latina, da África Negra e da Ásia). A China deve assinar um acordo bilateral com os Estados Unidos de causar inveja ao Brasil.
SECOS & MOLHADOS





