Joelmir Beting
Quando as bolsas de valores disparam é pura especulação global. Quando desabam, é desconfiança nos fundamentos da economia.
Lawrence Summers, secretário do Tesouro-EUA
Óleo na bolha
NOVA YORK A nova mistura de barris de petróleo com barris de pólvora ataca os nervos de Wall Street. Consultores e investidores temem menos a fuzarca intermitente do Oriente Médio e mais um tombo ainda maior da Nyse e da Nasdaq. Que ensaiam perder, em 2000, dois terços do banquete de 1999.
Lembram-se? A Nyse (a bicentenária bolsa de valores da velha economia) acumulou uma valorização gregoriana nada franciscana de 26%. Em nome de 2.417 empresas que estocam, em conjunto, ainda hoje, um valor de mercado de US$ 11,7 trilhões (contra os US$ 251 bilhões da nossa Bovespa). Este ano, até sexta-feira, 13, o Índice Dow-Jones escalou apenas 4,3%.
E a Nasdaq? A bolsa on-line da nova economia perdeu 16%, contra ganho médio de 84% em 1999. Culpa do petróleo? Os barris da Opep servem apenas de mais um pretexto de mercado para o ajuste técnico das cotações sem juízo de pelo menos meia centena de empresas de Internet.
A tal de irrational exuberance, cunhada pelo professor Robert Shiller, em 1996, e buzinada por Alan Greenspan, desde 1997, está em refluxo desde abril. O pouso tem sido suave porque o bloco das empresas de biotecnologia, de menor visibilidade, continua em alta dentro de uma Nasdaq que ainda ostenta um valor de mercado da ordem de US$ 5,4 trilhões.
O que não falta é gordura para queimar na raia das pontocom e das datacom. Uma acomodação sísmica que começa pelas maiores estrelas da nova economia. A mais valiosa empresa do mundo, a Cisco, cotada na semana passada em US$ 376 bilhões, deve faturar, este ano, US$ 21 bilhões. Ou seja: vale no mercado 17 vezes o faturamento. Em março, 21 vezes.
A Oracle está em alta. Fatura US$ 12 bilhões e já vale US$ 191 bilhões. Ou 16 vezes o faturamento. A Microsoft, queda maior, espera faturar US$ 26 bilhões e vale US$ 288 bilhões. Ou 11 vezes o faturamento. Em maio de 1999, chegou a valer 34 vezes...
Analistas de Wall Street sustentam que a desvalorização de centenas de empresas da nova economia se tornou uma lei da natureza. Tal como a água de morro abaixo ou o fogo de morro acima. Primeiro, porque emplacaram cotações absurdas até para a falta de lógica das bolsas. Segundo, porque a expectativa de baixa provoca a baixa - que sanciona a expectativa.
Palavra de Franco Modigliani, Prêmio Nobel de Economia. Para quem o pouso suave de Wall Street ocorrerá em meados de 2001. Quaisquer que sejam os indicadores da economia americana ou os (des)acordos de paz no Oriente Médio.
SECOS & MOLHADOS





