‘‘Em nosso mercado de trabalho, ou se contrata com todos os direitos, que são muitos, ou se emprega sem direito algum.’’
José Pastore, sociólogo
Futuro do emprego
Contratos de trabalho leoninos protegem os já empregados, prolongam a aflição dos desempregados, retardam a inclusão dos recém-chegados, aviltam a renda dos subempregados e perpetuam a exclusão dos inempregáveis. E, fechando a roda, justifica a contenção salarial dos já empregados.
Assinado: James Heckman, 56 anos, novo Prêmio Nobel de Economia. Especialista em Economia do Trabalho, da Universidade de Chicago, o professor Heckman passa a desenvolver estudos em dois novos ‘‘fronts’’ da chamada Nova Economia: 1) os atuais impulsos de valorização do capital humano no processo econômico; 2) os novos métodos de avaliação da (in)eficácia das políticas públicas nos desvãos da pobreza e da desigualdade social.
Nos Estados Unidos, ele vem liderando o debate sobre o futuro modelo das relações de trabalho. Cujo eixo atrevido pode ser assim resumido: em 2010, no mais tardar, haverá jurisprudência firmada sobre a figura já então predominante do contrato coletivo temporário por empresa com ou sem participação nos resultados.
Decodificando: 1) contrato coletivo ou mesmo individual por empresa e não mais por categoria ou sindicato; 2) contrato temporário livremente negociado em meses ou anos ou simplesmente pelo prazo da execução de um projeto, uma obra, uma encomenda, uma safra ou um negócio sazonal; 3) se, com participação nos resultados (estimulada pelo contrato por empresa), vale tanto repartir fração do lucro como rachar parte do prejuízo. Alguém se habilita?
James Heckman vai ter de falar agora pelos cotovelos da visibilidade e do patrulhamento que acompanham o contracheque de US$ 910 mil do Prêmio Nobel de Economia. Surpreendido pela notícia, quarta-feira, no Rio de Janeiro, o professor já teve de ‘‘se explicar’’ sobre suas ‘‘posturas neoliberais’’ a correspondentes da multimídia global. Acadêmicos, sindicalistas e intelectuais franceses e alemães estão caindo de pau em cima da Real Academia da Suécia – que teria laureado com o nobre Nobel um ‘‘ideólogo da globalização e da desigualdade’’...
O certo é que Hekcman estoca dezenas de ensaios sobre um comparativo constrangedor e mui desconversado: de 1980 a 1999, o total de empregos cresceu 27% nos Estados Unidos e apenas 3% na União Européia. Hoje, o desemprego está abaixo de 4% entre os americanos e não desgruda da média anual de 10% entre os europeus. Que não mais sabem a quem reclamar.


SECOS & MOLHADOS

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