‘‘Quem diz que os negócios vão melhorar é otimista. Quem diz que os negócios vão piorar é analista.’’
Christopher Quick, banqueiro americano.
Um trilhão ou mais?
Em valores correntes, os 168 milhões de brasileiros vão fechar o século 20 realizando produtos e serviços da ordem de R$ 1 trilhão. Sim, o PIB acumulado de janeiro a dezembro de 2000. Que leva em conta um crescimento econômico de 3,9% no ano e de um índice inflacionário de 6,5%.
A estimativa do IBGE, sobre dados consolidados do primeiro semestre, pode ser superada tanto na reaceleração ainda maior da economia como na recarga mais alta da carestia. Indicadores preliminares do terceiro trimestre apontam para um PIB de 4,2% e para um IPC de 7%. Já se admite um PIB de até R$ 1,050 trilhão. O que daria um produto interno por habitante de R$ 6 mil.
A econometria do produto nacional desperta o debate de sempre: a economia informal, subterrânea ou submersa, estaria devidamente capturada pelos sismógrafos e pelos sonares do IBGE? Devidamente, não. Nem na Suíça.
Há uma inevitável chutometria na estatística econômica de um Brasil que deu de andar na contramão da modernidade. Estamos alargando e até legitimando os negócios e os arrimos da economia informal.
No mercado de trabalho, fala-se que o emprego sem carteira assinada acaba de bater no travessão de 60% da mão-de-obra remunerada. Há dez anos, a coisa estava abaixo de 45%. Os mapas de arrecadação do INSS confirmam a virulência desse viés de ‘‘informalização’’ da economia.
As sondas fiscais da Receita Federal acabam de reavaliar o processo de ‘‘informalização’’ dos negócios em geral com a competente ajuda dos sensores (ou dos delatores) da inexcedível CPMF. Parece que as práticas de sonegação, evasão e elisão fiscal, que dão carona à lavagem de dinheiro sujo, são bem mais desinibidas e avantajadas do que se imaginava até recentemente.
O avanço do trabalho informal tem algo a ver com o ‘‘desemprego tecnológico’’ (ou analfabetismo idem) e com a legislação trabalhista inflexível. Ou como diz o professor José Pastore: ‘‘Ou se contrata com todos os direitos ou se emprega sem direito algum.’’ Os arroubos da sonegação fiscal guardam relação com uma carga tributária bruta postada, não é de hoje, acima da capacidade contributiva da economia e da sociedade. Uma gula asinina.


SECOS & MOLHADOS

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