Joelmir Beting
Computador? Pensando bem, nunca precisei chamar um técnico para apontar o meu lápis.
Millôr Fernandes, jornalista e escritor
Alastra-se a rede
O censo de terráqueos plugados na Internet acaba de totalizar 350 milhões. Ou 5,8% da população planetária. O primeiro bilhão de internautas é esperado para 2006. Ou antes. A lógica faiscante das tecnologias da informação está na entrega de produtos e serviços cada vez melhores a custos e preços cada vez menores.
O novo censo da Internet global, por estimativa, é da União Internacional de Telecomunicações (UIT), plantada em Genebra. O documento revela que a taxa de inclusão na rede mundial vai de 0,8% na África Negra e no Oriente Médio a 52% nos Estados Unidos, passando por 23% na União Européia ou 3,8% na América Latina.
Sim, a América portunhola está à frente do Leste Europeu (3,7%) e do planeta Ásia (2,1%). Com 6,8 milhões de internautas, ainda na tabela da UIT, o Brasil emplaca 4% de inclusão. Pelo relógio demográfico do IBGE, já somos 170 milhões de patrícios.
No limiar de uma nova explosão tecnológica dentro da atual revolução tecnológica, a difusão acelerada da Internet ocorre menos pelo aumento da renda da população e mais pelo barateamento e diversificação dos produtos e serviços do ecossistema virtual. Nos cálculos da UIT, haverá uma reaceleração do ingresso na rede e uma maior utilização dela (por tempo médio de navegação diária).
No Brasil, conta-se com os impulsos do programa federal de universalização da Internet, na mesma linha do esquema de universalização da telefonia. Telecom e datacom estão em rota de convergência tecnológica, mercadológica e patrimonial.
O perfil do internauta brasileiro acaba de ser redesenhado pela consultoria Value Partners. Sem surpresa: a) 71% pertencem às classes A e B; b) 60% têm menos de 30 anos de idade; c) 55% são do sexo masculino; d) 57% estão na Região Sudeste; e) 54% acessam a rede só em casa; f) 7% já fazem compras pela Web. Veja o novo inventário da Internet brasileira, divulgado esta semana no Maximídia 2000, no meu site www.joelmirbeting.com.br (clique Pontocom.com em: A mão que toca o mouse).
O estudo da UIT revela que a base de micros está dobrando de tamanho a cada 2,6 anos no bloco dos 50 maiores países emergentes. A do Brasil cresceu 565% desde 1994 e ensaia outros 320% até 2004. O fator limitante, entre nós, é o custo ainda salgado dos micros. Sim, por obra e (des)graça de uma carga fiscal digna de relógios Cartier.
De um lado, o governo confisca 1% do faturamento das telefônicas para financiar a universalização da Internet em lugares remotos, em bolsões de pobreza e em escolas públicas. De outro, inibe a difusão da rede sobretaxando autofagicamente micros, softwares e tarifas de telefonia. Estas pagam 41% de impostos ante menos de 15% em 124 países da UIT. Também por aí, um dos dois deve estar errado: ou o Brasil ou o mundo.
SECOS & MOLHADOS





