Joelmir Beting
No Brasil, você tem de ser vencedor e só vencedor. Se não for medalha de ouro, você não é vencedor.
Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro
Medalha de chumbo 2
Retomamos o assunto da quarta-feira, nesta coluna: a medalha de chumbo conquistada pelo Brasil nesta Olimpíada 2000. Caçapa cantada antes da estréia, a decepção maior foi a do futebol dito profissional. Uma capitulação vexatória, de salto alto, diante da linha burra da mutilada equipe de Camarões.
Destaquei no fiasco canarinho traços da nossa cultura da abundância. Que patrocina desperdícios encavalados de recursos materiais e humanos no futebol, na floresta, na lavoura, na energia elétrica, na água encanada, na economia informal...
Em e-mail à coluna, o professor Luis Paulo Bresciani, do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp, diz que o futebol brasileiro simplesmente desfilou na Austrália o colapso de gestão que atrofia atletas, clubes e federações, com sobras para os respectivos patrocinadores e/ou investidores. Que deram de queimar dinheiro bom sobre dinheiro ruim.
Bresciani entende que a crise de gestão é de corte cultural, moral e político. Ela contamina as demais modalidades esportivas. Não temos política nacional para o esporte (assim como não temos políticas nacionais para ciência, tecnologia, indústria, agricultura).
O futebol não passa pelo teste de um mísero regulamento de torneio-tampão. Muito menos pela prova de um calendário anual. Escreve Bresciani: A cartolagem não está a fim de perder tempo e talento com trabalhos de base em clubes. E o que dizer das nossas escolas? Acabou a obrigatoriedade da educação física na maioria delas.
Medalha de chumbo para a saúde física e mental da garotada. Ou será que, para 2004, continuaremos reféns das medalhas de ouro do hipismo? São cavaleiros brasileiros na garupa de cavalos suíços ou ingleses que valem milhões de dólares.
Hipismo vitorioso escoltado pelo iatismo vencedor . Mas, por ter afirmado que hipismo e iatismo levam jeito de hobby das elites, recebi dezenas de e-mails enfezados de iatistas e aficcionados. Dizem eles que os barcos não são caros. O tipo star, de Torben Grael e Marcelo Ferreira, em Sydney, não passa de US$ 30.000, escreve Marcelo Batista da Silva, medalha de prata (classe Lightning) em Winnipeg. O barco laser, de Robert Scheidt, contenta-se com US$ 8.000.
O leitor Harry Adler, do Rio, me passa a história do iatismo de competição, desde a invenção da Classe Star, em 1911. E descreve a evolução tecnológica do barco, cujo valor médio, na flotilha do Iate Clube do Rio de Janeiro, é de US$ 25.000.
SECOS & MOLHADOS





