‘‘Já que você tem de pensar seu negócio, pense grande, definitivamente grande.’’
Donald Trump, empresário americano
Indústria do otimismo
A indústria brasileira do turismo, carro-chefe da economia do entretenimento, espera faturar, este ano, exatamente R$ 61 bilhões. Ou cerca de US$ 33 bilhões, a dólar de R$ 1,85. Um mercado da ordem de 6% do PIB, abaixo da média mundial, em torno de 13%.
Investidores e empresários do ramo deram de apostar na desova dessa enorme demanda reprimida. Projetos turísticos para lazer, cultura, showbiz, esporte, saúde, trabalho e negócio totalizam investimentos de R$ 14 bilhões neste triênio 1999/2001. O setor privado entra com 85% desse total e o capital externo responde por 33% dos novos projetos.
Dessa corrida participa alegremente o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), investidor de segunda instância em complexos turísticos de países mais espertos que o Brasil nesse mercado afluente. Caso do México, do Peru, do Chile, do Caribe.
Em todo o mundo, o Anuário 2000 da Organização Mundial de Turismo (OMT) projeta para este ano negócios diretos e indiretos de US$ 4,6 trilhões. O ‘‘front’’ da recepção de visitantes estrangeiros pode furar a barreira de US$ 700 bilhões. Ou quase 15% do total. Nessa projeção, a fatia brasileira seria de 1,2% do bolo global. Há sete anos, estava abaixo de 0,8%.
O consumo do turismo tende a crescer à frente do PIB das nações, Brasil no meio. Seja por oferta de serviços e programas melhores a custos menores, seja por mudanças culturais ou por pressão de novos valores sociais. O lazer já virou produto da cesta básica da qualidade de vida. Integra o cardápio da saúde física e mental das pessoas e ganha espaço cada vez maior na estratégia de produtividade das empresas modernas.
O prestígio político do setor também levanta a crista pelo lado do mercado de trabalho em transe. Maior ‘‘indústria de serviços’’ do século 21, turismo e derivados já sustentam perto de 210 milhões de empregos em todo o mundo. A atividade é intensiva de trabalho por unidade de capital aplicado. Além disso, aciona em maior ou menor grau 52 diferentes setores da economia moderna.
Por causa disso, em dezenas de países, o turismo desfruta de um tratamento fiscal diferenciado e favorecido. Para variar, não é o caso do Brasil. Nosso fiscalismo enrustido ainda contempla o turismo com a lupa vesga de um negócio meramente residual ou supérfluo. Só de ICMS, a coisa vai de 8% a 12%, conforme o humor do governador da vez. São Paulo acaba de optar por reduzir esse tributo, até dezembro, de 8,4% para 3%.


SECOS & MOLHADOS

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