‘‘O mercado mundial não se defende das altas forçadas do petróleo. Ele apenas se vinga.’’
Daniel Yergin, consultor ameriano
OPEP fala grosso ?
Que não se perca de vista o detalhe político: a nova escalada do petróleo, calibrada pela Opep, resulta menos da força física do cartel de 11 países exportadores e mais da aceitação tácita (ou tática) dos grandes países consumidores.
A Opep perdeu massa crítica no mercado mundial. Nos choques encavalados de 1973/74 e de 1979/80, quando puxou o tapete árabe do mundo desprevenido, então misturando barris de petróleo com barris de pólvora, o cartel controlava dois terços da oferta mundial. Hoje, responde por apenas 29 milhões dos 73 milhões de barris refinados por dia em todo o mundo.
O que houve de lá para cá? A vingança do mercado agredido no tanque ou no bolso. O planeta energívoro descobriu-se jogando pelo ralo do desperdício e da ineficiência um recurso fóssil finito e não mais barato. E tome a revanche de programas encadeados de exploração de novos campos, de racionamento de combustíveis, de conservação de energia e de substituição do petróleo.
Novos campos. Barril ‘‘Brent’’ saltando de menos US$ 2,50 para mais de US$ 14 (1974) e para mais de US$ 43 (1979) viabilizou economicamente pesados investimentos em prospeção de novas reservas, em extração de depósitos até então congelados, em exploração de achados off-shore sob águas profundas e em utilização de rescaldos de poços velhos ou de poços pequenos.
Nos anos 80, entraram no mercado as grandes reservas do Golfo do México, do Mar do Norte, da Bacia de Campos, do Mar da China, do Alasca, da Sibéria... Formaram-se reservas nacionais de segurança (ou de intervenção no mercado). Armou-se até mesmo um expediente diplomático de intervenção militar no Oriente Médio...
Racionamento. Na crista dos trancos opepianos, países europeus adotaram a redução pactuada do refino, calçada por rodízios de distribuição de derivados e de circulação de automóveis. A rainha Juliana, da Holanda, não vacilou em rodar de bibicleta pelas avenidas nevadas de Haia, em dezembro de 1973.
Conservação. A eficiência energética de máquinas e motores deu saltos pirotécnicos na engenharia mecânica e na engenharia química. No Japão, o consumo de energia total por unidade de produto industrial despencou 54% em dez anos. Na Europa, o consumo de combustível por quilômetro rodado recuou 57% nos automóveis e 41% nos ônibus, caminhões, tratores, barcos e utilitários. Ou 38% nos aviões da Boeing, da Douglas e da Airbus.


SECOS & MOLHADOS

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