Joelmir Beting
Nem tudo o que é bom para a Petrobrás é bom para o Brasil.
José Maria de Jesus, motorista de táxi
Fim da farsa fiscal
De prepente, a Opep repuxa o tapete árabe do mundo energívoro e o cidadão europeu descobre-se um contribuinte esfolado dentro do consumidor extorquido. E parte para a primeira rebelião em bloco contra os abusos da economia de comando por sobre os caprichos da economia de mercado.
Nada contra o cartel da boca do poço nem contra o oligopólio da bomba do posto. Contribuintes despertos revoltam-se contra o impávido come-quieto tributário amoitado no tanque do automóvel, no frete do caminhão, na tarifa da eletricidade ou na conta da calefação.
Por linhas oblíquas e oleosas, a Opep faz cair a máscara do confisco bom-mocista o da extração fiscal dita punitiva em nome da limpeza do meio ambiente. Planeta conspurcado pela queima crescente de uma energia primária fóssil, finita e poluente.
Desfaz-se a farsa fiscal de quase três décadas. Ou desde o primeiro oil shock da Opep, outubro de 1973. Os preços reais do óleo bruto (nominal de US$ 35) estão 66% abaixo do pico de janeiro de 1980 (nominal de US$ 43), no segundo oil shock dos barris de petróleo, então misturados com barris de pólvora.
Yes, em termos reais, o petróleo de 2000 está dois terços mais barato ou menos salgado que o petróleo de 1980 pelo dólar médio de janeiro de 1980. O problema é que a ilustre família dos derivados, pelo mesmo dólar de 1980, acusa aumentos reais de 17% na Espanha a 28% na Inglaterra, passando por 21% na Itália ou 24% na Alemanha. Fonte: The Economist Intelligence Unit.
Como a Opep nada tem a ver com a gastança pública européia financiada pela sobrecarga fiscal dos combustíveis (nem com a ganância privada oportunista de múltis e de fundos incrustados em mercados spot tipo bolsa), os contribuintes europeus saem da toca e partem para a briga a céu aberto pela primeira vez, desde a Queda da Bastilha no século 18.
Representados por ferozes caminhoneiros, taxistas, agricultores, tratoristas e pescadores, os contribuintes em pé de guerra bloqueiam estradas, suspendem suprimentos, isolam cidades, depredam usinas sitiam parlamentos, hostilizam burocratas e cortam o barato político de governantes que desfilam crachás de socialistas e progressistas. Em verdade, cultores de políticas paternalistas e confiscalistas.
Derivados de petróleo respondem por 78% do transporte de cargas, por 63% da eletricidade européia, por 92% da calefação no inverno, por 64% das embalagens de remédios e alimentos, por 36% da energia industrial e por 32% da adubação química. Mas pagam impostos tão ou mais pesados que os do perfume, do cigarro e da cachaça. Até quando?
SECOS & MOLHADOS





