‘‘Nem países ricos nem países pobres. A diferença, doravante, estará entre povos educados e povos ainda não educados.’’
Gary Becker, Prêmio Nobel de Economia.
Escola de inclusão
Se, como nunca antes, empregabilidade rima com escolaridade (acima de 8 anos de ensino de boa qualidade), o Brasil vai ter de descontar o atraso de uma geração em apenas meia década. Será que vai dar?
Única certeza, por enquanto: não há mais tempo a perder nessa empreitada de remissão nacional. Exposição de motivos: ‘‘O futuro da civilização estará logo mais resumido a uma dramática corrida entre a educação e a catástrofe.’’ Foi o que escreveu, ainda nos idos de 1971, um outro Prêmio Nobel de Economia, Theodore Schultz, em Investment inHuman Capital – The Role of Education and of Research.
Será que vai dar para o Brasil ganhar posições nessa corrida que já dura, no mínimo, meio século? O ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, diz que vamos ter de correr com três cavalos nesse mesmo páreo: 1) o avanço da alfabetização funcional de nível médio; 2) a universalização do acesso ao segundo grau; 3) a modernização do aparelho educacional na estrutura, na operação e no conteúdo.
Conteúdo é a palavra da moda na Internet. Pois o Brasil pode queimar etapas e mapear atalhos exatamente com o advento da escola digital em rede nacional. Sim, com a universalização da Internet na rede pública gratuita. Outra não é a prioridade do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), lembra Renato Guerreiro, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O Fust é abastecido por 1% do faturamento bruto das operadoras privadas do setor. Ele pode relançar o Proinfo, o programa federal de informatização das escolas de todos os níveis. Esse programa mirava instalar 100 mil PCs de uso pedagógico entre 1997 e 1999. Por falta de verba, não passou até aqui de um terço dessa meta.
Nesse ínterim, o PC passou de instrumento de ensino (do professor) para instrumento de aprendizado (do estudante). Na escola ou fora dela.
Efeito Internet, eis a questão. E, também aí, uma evolução não menos rápida e igualmente sutil: não mais se trata de levar a Internet para a escola e, sim, de plugar a escola na Internet.
O processo, algo mais que um projeto, já decolou. A Telefônica aciona a tecnologia Speedy, de alta velocidade, pelo portal Terra, para colocar a Internet em 2.170 escolas públicas da rede estadual de São Paulo.
Até fevereiro, essa escola chipada já estará disponível para 110 mil professores e 3,3 milhões de estudantes.


SECOS & MOLHADOS

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