‘‘Culpar a tecnologia pelos males do mundo é como bradar pela prisão do fabricante de talheres em cada assassinato a faca.’’
Juliano Bastide, sociólogo
Caindo a máscara
O arroubo transitório da Opep tem o mérito de fazer cair a máscara da sobrecarga fiscal amoitada nos preços finais dos derivados de petróleo. A coisa vai de 61% a 83% na União Européia em pé de greve. Ou em pé de guerra.
A culpa não é da Opep. A menos que se lhe atribua a condição de inocente (pouco) útil (muito) do assanhamento confiscatório de governos bom-mocistas. Vestidos, hoje, de arautos da Terceira Via.
O bom-mocismo, no caso, está em justificar o confisco tempestivo do chamado ‘‘imposto verde’’. Ou seja: é preciso espancar o desperdício hedonista de um recurso natural sem reposição, queimado por máquinas e motores de preguiçosa eficiência energética.
Ou ainda: é necessário punir pelo bolso o uso e o abuso de um combustível fóssil ecologicamente repulsivo. Que, não contente em asfixiar a atmosfera das cidades com uma calota gasosa cancerígena, deu de derramar o óleo bruto, em acidentes estúpidos, pelos estressados mananciais de países ricos, pobres e remediados.
A civilização energívora que trate, pois, de investir os tubos e os cabos na substituição do petróleo e na conservação de energia. Pois, que tal levar esse dedo em riste ao pé da letra? Os governos gulosos perderiam uma fonte de renda (sem trabalho e sem risco) verdadeiramente supimpa. Porque a sobrecarga fiscal, sobre ser extorsiva, é da variedade furtiva. Ou ladina. O contribuinte nem sabe que está contribuindo.
O brasileiro motorizado sabe que está pagando até 64% de impostos no litro da gasolina? Tanto quanto paga no perfume, no cigarro ou na cachaça? Como vimos ontem, nesta coluna, o brasileiro coloca 1 litro no tanque e paga 3. Ou paga 3 e só leva 1. Sócio de dois terços da gororoba química, o governo nem se dá ao trabalho de acabar com a vergonhosa adulteração do precioso líquido.
Sócio de dois terços do combustível e de quase metade do preço do automóvel sem contar o confisco parafiscal das multas, licenças e pedágios, o governo pouco faz para coibir o trânsito mais violento do mundo civilizado. Nem sequer para tapar buracos lunares em estradas e avenidas.
E cadê o transporte coletivo tipo ‘‘Dever do Estado, Direito do Cidadão?’’. É ônibus ou trem superlotado e assaltado, transportando gente como se fosse gado...


SECOS & MOLHADOS

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