‘‘O mercado não é uma criação divina. É uma invenção humana. Pode falhar. Mas falha bem menos do que qualquer governo’’
Robert Reich, economista americano.
Na mancha do óleo
O petróleo cacareja a cotação mais elevada em dez anos, com o tipo ‘‘brent’’ furando a barreira psicológica de US$ 33 no mercado ‘‘spot’’ de Londres. De barriga cheia, a Opep faz reunião ministerial amanhã, em Viena, para avaliar um novo aumento tático da produção.
Oumento tático para proteger a nova estratégia do cartel ressuscitado: 1) cobrar pelo petróleo, recurso finito, o que a civilização energívora deve e pode pagar; 2) calibrar um preço por barril suficientemente alto para remunerar adequadamente o precioso líquido; 3) calibrar um preço por barril suficientemente baixo para desencorajar politicamente os programas nacionais de conservação de energia e de substituição de petróleo.
Para os peritos da Opep, na voz do presidente do cartel, o ministro venezuelano Alí Rodriguez, o valor correto do barril tipo ‘‘brent’’ estaria hoje no pêndulo de US$ 27 a US$ 30. Com a filigrana: uma banda de mercado na qual US$ 27 seriam o piso e US$ 30 não necessariamente o teto...
Analistas do setor ponderam que a idéia de um piso politicamente calçado, nesse nível de US$ 27, seria uma garantia de longo prazo para a retomada, em meio mundo, de projetos de substituição e de programas de conservação. Agora que já rodam pelas rodovias e avenidas da Alemanha automóveis de pequeno porte, equipados com turbo diesel, cobrindo até 50 quilômetros com um litro de combustível. Algo como viajar do Rio a São Paulo com apenas 9 litros no tanque.
O presidente da Opep disse, quinta-feira, que os maiores países importadores estão ganhando mais com a alta do petróleo do que os países exportadores. Sim, ganhando nos impostos punitivos sobre os derivados, nos lucros abusivos do refino e distribuição e nos lances especulativos de um mercado livre tipo bolsa. Quer dizer: a Opep lava as mãos lambuzadas de óleo feito Pilatos no credo. Pelo sim, pelo não, a Petrobrás não se queixa. Na disparada dos preços, em 1999, ela apurou um lucro recorde de R$ 1,8 bilhão.
Lucro projetado, este ano, para R$ 8 bilhões (segundo a FGV). Grana suficiente para lastrear os investimentos autorizados de R$ 8,3 bilhões no ano que vem (indicativo do novo Orçamento-Geral da União).
Nas contas da Petrobrás, o preço médio do barril importado, a dólar médio de julho, subiu de US$ 11,80, em 1998, para US$ 16,30 em 1999 e para US$ 26,90 em 2000. A estatal projeta US$ 24,30 para 2001 e US$ 22,10 para 2002. Passando outro dia pelo Rio, o presidente mundial da Royal Dutch/Shell, Mark Moody-Stuart, não deixou por menos: o barril ‘‘brent’’ cairá para US$ 20 até 2002.


SECOS & MOLHADOS

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