‘‘Na Economia, as soluções rendem mais que os problemas. Na Política, os problemas valem mais que as soluções.’’
Nicolai Bukharin (1888-1938), economista russo
Embraer sem grilo
Indenização? Não. Multa? Também não. Retaliação? Pode ser.
Prejuízo comercial? Não, necessariamente. A arbitragem da Organização Mundial de Comércio (OMC), na ruidosa pendência Embraer versus Bombardier, bateu o martelo em favor da segunda.
Overedicto autoriza o Canadá a sobretaxar importações de produtos diversos oriundos do Brasil. Se não houver acordo bilateral de ambos os governos numa reunião marcada para o dia 18, em campo neutro: Nova York. As barreiras teriam a duração de cinco anos (2001/2005) pelo teto de US$ 266 milhões por ano. Ou de US$ 1,330 bilhão no período.
Armou-se por estas bandas um besteirol no rodapé da matéria.
Um jornal tascou no editorial que ‘‘mais uma vez o contribuinte brasileiro vai ter de socializar o prejuízo provocado pela privatização do lucro de uma ex-estatal pilhada em prática desleal de comércio exterior’’. Vixe!
OTesouro Nacional não vai bancar coisa alguma nesse contencioso comercial que já dura quatro anos. O governo simplesmente se obriga a refazer certas cláusulas do Programa de Financiamento a Exportações (Proex), as da equalização dos juros internacionais nos créditos oferecidos aos clientes da Embraer. Ainda assim, mantendo ou honrando os contratos firmados pela empresa até 18 de novembro de 1999.
Ora, a manutenção dessa carteira de encomendas garante à Embraer, também em cinco anos, uma receita cambial líquida de US$ 7,1 bilhões. Ou cinco vezes e meia a suposta ‘‘indenização’’ arbitrada pela OMC.
Seguinte: se os exportadores brasileiros continuarem vendendo ao Canadá, mesmo com as sobretaxas, estará preservado um mercado externo meramente residual de US$ 650 milhões por ano. Se não aceitarem tais sobretaxas, poderão buscar mercados alternativos nos Estados Unidos e na União Européia. Cadê a multa?
Enquanto a OMC lava as mãos, feito Pilatos no credo, Brasil e Canadá engatam a costura de um acordo comercial mutuamente vantajoso. O Canadá abriria mão das sobretaxas e o Brasil daria preferência a fornecedores canadenses em compras do setor público. Remédios genéricos, por exemplo. Ou vagões de metrô – fabricados por uma associada da própria Bombardier.
Oque nenhuma OMC vai conseguir desfazer é a competitividade maior da Embraer por sobre a rival canadense. Cada funcionário da Bombardier realiza um produto de US$ 176 mil. Cada funcionário da Embraer executa US$ 274 mil. Diria o Maguila: ‘‘Vai encarar?’’


Secos & Molhados

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