Joelmir Beting
Integração ou isolamento dos países da América do Sul? O isolamento fará de todos nós os índios do século 21.
Hélio Jaguaribe, cientista político.
Unidos venderemos
A
cimeira de Brasília desperta ciumeira em Washington. A velha diplomacia econômica de mão única, a das áreas de influência, está sendo contestada pelo avanço, ainda desajeitado, dos blocos regionais do Mercosul e do Pacto Andino. Agora, embicados para um futuro mercado comum de toda a América do Sul.
Na base do unidos venceremos (ou unidos venderemos), as trocas comerciais dentro de cada bloco e entre ambos os blocos já fazem um mercado externo maior que o do intercâmbio bilateral com os Estados Unidos. O Brasil que o diga. Em menos de uma década, o Mercosul e o Pacto Andino, somados, passaram a responder por 24% das exportações totais do país contra 19% do megamercado americano (que importa quase US$ 4 bilhões por dia!).
Aintegração regional, na linha da União Européia, segue a lógica da discriminação de parceiros extrabloco. Ou seja: quem não é membro do clube comercial paga o ingresso da tarifa externa única. Proteção calibrada pelo nível de competitividade da indústria nativa. Aqui no Mercosul, o made in USA encara taxação de 20%.
Resultado: empresas americanas preferem instalar-se de mala e cuia nos mercados assim protegidos. Até porque levam sobre empresas brasileiras, em especial, a vantagem demolidora do capital próprio ocioso e barato, returbinado pela desvalorização do real. Não é por acaso que multinacionais americanas, européias, japonesas e coreanas deram de investir, entre nós, nada menos de US$ 80 bilhões no triênio 1998/2000. Mais do que na China ou o dobro do que em toda a Europa Oriental, incluída a Rússia.
Aciumeira de Washington não é gratuita. A maturação dos blocos ao sul do canal do Panamá subtrai mercados externos até recentemente considerados cativos. Pior: troca-se a exportação de produtos pela exportação de fábricas numa superpotência econômica com déficit comercial que já passa de US$ 1 bilhão por dia!
Eo que dizer da crescente repulsão dos sindicatos americanos (e dos eleitores idem) em relação aos blocos comerciais, começando pelo próprio Nafta? Eles estão preocupados com a exportação de empregos numa economia hoje em regime de quase pleno emprego. Já imaginaram esse ativismo sindical (e eleitoral) numa quadra de vacas magras?
Adiplomacia do dólar igualmente não engole a falta de apetência da família portunhol, liderada pelo Brasil, na carpintaria da futura Área de Livre Comércio das Américas (Alca), cesariana marcada para 2005. Assunto de 2.ª linha nesta cúpula sul-americana de Brasília.
Secos & Molhados





