‘‘Quando os economistas se sentem inseguros, eles se tornam ainda mais dogmáticos.’’
John Kenneth Galbraith, economista canadense
Apertar ou relaxar ?
Dirigentes de bancos centrais de 172 países participam, hoje, de um simpósio internacional sobre políticas monetárias e cambiais, patrocinado pelo Federal Reserve americano, divisão de Kansas City. O encontro global, sem passeata nem arruaça, foi agendado para a pequena Jackson Hole, espetada no cocuruto do Parque Nacional de Yellowstone, nas Rochosas do Wyoming.
Agenda de avestruz: 1) rescaldos da crise financeira global; 2) nova (des)ordem monetária internacional; 3) limites de intervenção dos bancos centrais na regulação dos mercados financeiros; 4) os capitais especulativos e a adoção (ou não) da Taxa Tobin; 5) políticas de estabilidade monetária em ciclos de expansão econômica.
Documento preliminar considera que a economia mundial penetra em nova quadra de crescimento sustentado, com ganhos qualitativos extraordinários. Prevê-se, para este ano, um PIB global 4,4% maior – o ritmo mais acelerado desde 1988. A coisa vai de 1,7% no Japão a 5,5% nos Estados Unidos, com sobras de 3 4% na União Européia, de 3,6% na América Latina e de 8% a 10% na Coréia e na China. E com o comércio internacional voltando a crescer 7% ao ano.
Humildemente, as autoridades monetárias admitem que os saltos de produtividade da maioria dos países têm feito mais pelo controle da inflação que as políticas monetárias (e fiscais) restritivas e purgativas. Até porque gorda fatia desses ganhos da modernização das empresas está sendo repassada à ilustre clientela pelos novos atalhos da competição sem bandeira e sem fronteira.
Oatual mapa-múndi da inflação é róseo: taxas gregorianas de 3,3% nos Estados Unidos (ou 2,1% no ‘‘core’’ dela) e de 2,2% na União Européia. No Japão, deflação de 1,4%. Com um alerta amarelo: o ritmo de ocupação da capacidade instalada tem sido mais veloz que o da ampliação dessa mesma capacidade.
Outro alerta amarelo no simpósio de Jackson Hole: até quando o avanço da produtividade do fator trabalho continuará neutralizando o efeito inflacionário do aumento real do salário? No caso americano, um salário revalorizado pelo regime de quase pleno emprego. Bem, ao manter o piso dos juros em 6,50%, o Fed anfitrião acaba de sinalizar que ainda não se observam sinais de fadiga do material na produtividade made in USA.
Sobre a tributação punitiva dos capitais voláteis, no figurino da Taxa Tobin, dois pontos a ponderar: a) ela teria de ser adotada, sem exceção, por todos os países do mundo; b) ainda assim, ela faria a alegria ainda maior de todos os paraísos fiscais do planeta.


Secos & Molhados

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