‘‘Para mim, o cheiro do cavalo é melhor que o cheiro do povo.’’
João Baptista Figueiredo (1919-2000), ex-presidente da República.
Nas patas do (t)ouro
CComendo pelas bordas, a Festa do Peão, em Barretos, SP, cavalgou o pódio de maior evento popular do Brasil. Maior que os carnavais do Rio, Salvador e Recife. Maior que as festas de São João no Nordeste ou que os picos religiosos de Aparecida (SP), as romarias de Juazeiro (CE), ou o Círio de Nazaré, em Belém do Pará.
Sim, maior em público, em bilheteria, em patrocínio, em promoções laterais, em negócios diretos e indiretos, em empregos idem. Desde ontem, em dez dias de esporte, showbiz & badalação, num raio de 150 quilômetros da arena projetada por Oscar Niemeyer, a Festa do Peão deve atrair 1,2 milhão de visitantes. Com megafatura de R$ 270 milhões, nos cálculos maduros do Sebrae-SP. Quase duas vezes mais que o carnaval do Rio de Janeiro, segundo auditores da Receita Federal.
Em formato de ferradura e dotada de plataforma high tech, o Arenão tem capacidade para 35 mil espectadores sentados, na base de R$ 20 por cabeça. Ou por chapéu. Shows de graça são realizados numa arena menor, a Berrantão. A receita maior vem do patrocínio de bancos, montadoras, concessionárias, bebidas, confecções, telefônicas, bens de informática e, ora, pois, empresas de Internet.
Em matéria de organização e profissionalismo, a ‘‘turma do rodeio’’, como se diz nas agências de publicidade, ganha de 10 a 0 da cartolagem do futebol. A empresa Os Independentes, dona da Festa do Peão, desde 1955, ‘‘faz gol olímpico de bicicleta’’, diz o publicitário Victor Anchieta. Ela traz dezenas de caubóis americanos, canadenses e australianos para encarar 450 peões brasileiros.
Barretos é a ponta do iceberg da indústria nacional dos rodeios, de padrão texano. São mais de 1.200 eventos por ano no eixo São Paulo-Minas-Goiás, com sobras para o Paraná e Mato Grosso do Sul.
Um mercado avaliado em R$ 6,5 bilhões por ano, segundo José Graziano da Silva, especialista em economia rural.
RRural? O negócio é consumido pela classe média urbana, com ou sem raiz na terra prenhe. Os eventos de ponta fazem um ‘‘grand- slam’’ tocado pela Federação Nacional do Rodeio Completo. Com destaque, num calendário de corte britânico, para Barretos, Goiânia, Jaguariúna e Presidente Prudente.
Mais de 1.200 rodeios, que dão carona a feiras e leilões de bois e cavalos, estão sustentando, este ano, perto de 240 mil empregos diretos e indiretos. O dobro da festejada ocupação das 17 montadoras de automóveis em operação no País.

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