‘‘A Internet continua sendo uma ferramenta tão sofisticada que uma empresa burra pode utilizá-la de maneira burra.’’
Esther Dyson, consultora americana.
Dobra em três anos
Situadas na confluência dos negócios da telecomunicação com os negócios da computação, com sobras para os negócios da multimídia/megamídia, as empresas de tecnologia, pau da barraca da chamada nova economia, estão crescendo no Brasil pela média de 24% ao
ano. Nessa toada de Barrichello em Hockenheim, o setor dobra de tamanho
em apenas três anos.
Ano passado, as 200 maiores empresas brasileiras dos mercados chipados faturaram US$ 43,3 bilhões (a dólar médio de R$ 1,79). Crescimento de 24% sobre o desempenho de 1998. Esse ritmo está sendo mantido nesta travessia bem menos sobressaltada de 2000. O balanço consolidado de 1999 está na edição especial da Info200/Exame, que circula nesta sexta-feira.
No conceito da receita operacional bruta, medalha de ouro para as provedoras de acesso, com expansão média de 50,4% no ano. E a margem de ganho? Aí transparece o paradoxo da nova economia: alta reciprocidade com baixa rentabilidade. O segmento de consultoria, com crescimento de 28,4% em faturamento, limpou um lucro líquido sobre vendas de 5%. A mediana do setor, na soma de telecom com datacom, não foi além de 1,7%. Menos de um décimo da rentabilidade média dos 50 maiores bancos privados do País.
As empresas de telecom faturaram US$ 23,8 bilhões, respondendo por 55% do total apurado pela Info200. Liderança da Telefônica, com vendas de US$ 4,3 bilhões, secundada pela Embratel, com exatos US$ 4 bilhões. Esfalfadas por pesados investimentos e dramáticas reestruturações, as empresas de telecom salvaram uma lucratividade média de apenas 0,7% sobre as vendas.
Para variar, as pontocom ficaram com a taça de chumbo da rentabilidade negativa de alguns de seus segmentos. As provedoras de acesso purgaram prejuízos de 33% sobre as vendas totais. As de software ganharam 3% e as de serviços de Internet contentaram-se com 2,4% de lucro líquido.
As ‘‘star-ups’’ do ramo, plantadas no futuro, continuam turbinadas pelos investidores de risco (venture capital). Uma delas, a Vesta, de Paula Santos, plugada em suportes para comércio eletrônico, triplicou de tamanho em 22 meses de vida, fatura US$ 1 milhão por mês e já vale no mercado perto de US$ 100 milhões.
Pelo critério da excelência de gestão e operação, a Info200 aponta a melhor empresa de tecnologia do País: a HP Brasil, de Carlos Ribeiro, com seu crescente focus no e-service. Detalhe: a matriz americana nunca registrou sequer um semestre de prejuízo desde a fundação em 1940.

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