O passado no presente
As agências internacionais de classificação de riscos (cambiais, financeiros, fiscais, econômicos, sociais e políticos) continuam dispensando ao Brasil um tratamento tão severo quanto injusto. Palavra de 7 em cada 10 analistas brasileiros. Ou de 4 em cada 10 analistas estrangeiros.
Risco Brasil? Ele vive, basicamente, da maldição da moratória unilateral do governo Sarney, em 1988. O sistema financeiro não se defende desse tipo de calote telúrico. Ele apenas se vinga. Ou seja: não apaga a memória do ‘‘golpe sujo’’ em menos de meio século. Ou como diria o poeta Mário Quintana: ‘‘O passado não conhece seu lugar. O passado está sempre no presente.’’
Claro, as classificadoras de risco, que ainda hoje colocam o Brasil abaixo da Venezuela, da Nicarágua, da Croácia, da Indonésia ou da Rússia, exibem arrazoados técnicos sofisticados na justificativa das baixas notas atribuídas ao Brasil. Entre outros, a impopularidade acachapante do presidente brasileiro nesta nossa democracia do ovo, pelo ovo e para o ovo.
O melindroso assunto foi tratado, semana passada, no Rio, por um seminário do Ipea sobre o Sistema Financeiro Internacional. Falou-se até mesmo dos estragos da moratória mineira de Itamar, em janeiro do ano passado, religando a neura externa do calote brasileiro de 1988. Foi a pataquada de Minas que desencadeou o ataque global contra o Real. Em menos de dez dias, lá se foi para o espaço nossa querida banda cambial.
Debatedor do painel, o economista Marcilio Marques Moreira, ex-ministro da Fazenda e consultor da Merryll Lynch americana, disse que a subavaliação do Brasil pelas agências de rating (do porte de uma Moody’s ou de uma Standard & Poors) continua dificultando e encarecendo os financiamentos internacionais de governos e de empresas do País. Um prejuízo enorme.
Comenta-se no mercado financeiro que a Moody’s só vai mexer na cotação do Brasil em 2003, ‘‘após os primeiros movimentos do governo que sucederá aos oito anos de FHC’’. A Standard & Poors, menos cética, já deixou escapar que estuda a reavaliação do Risco Brasil. Ainda para 2000.

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