Joelmir Beting
Para a nova economia, a escola superior é o tiro de partida e não a fita de chegada.
Gary Becker, Prêmio Nobel de Economia
Educação continuada
No jogo aparentemente sem regras da nova economia (abordado ontem nesta coluna), há uma regra de fundo claramente estabelecida e aceita: a valorização suprema do capital humano no processo econômico. Daí o chavão já consagrado: estamos na Sociedade do Conhecimento, turbinada pela Economia da Informação. Ou da Infoeconomia de 2000, que oferece carona à Bioeconomia de 2020.
As empresas velozes desenvolvem programas de educação continuada para os funcionários de todos os níveis. Algumas lançam autênticas universidades corporativas para consumo próprio e de fornecedores, parceiros e distribuidores. São empresas que passam a funcionar como escolas, na doce expectativa de que as escolas venham a funcionar como empresas.
Nos Estados Unidos sempre eles! , a educação continuada e os programas de integração empresa/escola deram de movimentar nada menos de 6% do PIB, segundo o professor Peter Drucker. Não é para menos. O trabalho braçal mal passa de 20% dos empregos totais. O mercado do conhecimento abriga 45% da força nacional de trabalho a caminho de 50% ou mais até 2003.
O economista Paul Romer avisa que os investimentos em formação de capital humano acabam de ultrapassar os investimentos em formação de capital físico. Essa aposta se faz ainda sem uma noção clara da taxa de retorno desses investimentos. Mas há uma percepção generalizada, convalidada outro dia por Alan Greenspan, de que dois terços da atual revolução da produtividade derivam dos ganhos do capital humano e não do capital físico.
Faça-se justiça, na verificação desse fenômeno, aos estímulos e às demandas da nova economia. A própria explosão educacional, plugada na Sociedade do Conhecimento, resulta do advento da Escola Digital, a bordo da democratização dos acessos à Informação. Nas empresas, a educação continuada funciona on-line e não é gratuita.
As grandes empresas não admitem ensino de graça para seus funcionários. Preferem contratar prestígio e talento do provedor pedagógico. Os estudantes corporativos agradecem.
E tome o boom de quase 90 mil cursos de nível superior e médio oferecidos por escolas virtuais de universidades tradicionais. De Harvard a Stanford, de Princeton a Chicago, da Wharton a Claremont. E, tal como uma livraria Amazon.com, vinda do nada, entram no mercado da educação continuada novas escolas virtuais já de grande peso. Caso da Knowledge Universe, da Morningside Ventures, da Kaplan College ou da Washington Post. Todas .com (e não .edu ou .org). As empresas pagam e cacarejam esses ovos.





