Caso Eduardo Quem?
Deu no rádio do táxi: ‘‘Caso Eduardo Jorge não afeta mercados e bolsa volta a subir e dólar volta a cair.’’ O motorista indaga-me pelo retrovisor: ‘‘Eduardo Quem?’’ Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência da República, esclareço. ‘‘E o que esse cara aprontou?’’ Superfaturamento de obra pública simplifico.
José Maria de Jesus, o motorista, suspira fundo: ‘‘E qual é o problema? O senhor conhece alguma obra pública feita a preço justo? Se o preço é justo, a obra não sai. E, se ela começa, não acaba. É do jogo.’’ Pelo sim, pelo não, o Senado da República anuncia, para agosto, a reinstalação da Comissão das Obras Inacabadas. Sim, obras federais, estaduais e municipais. Essa investigação funcionou durante sete meses em 1995. Na época, foram identificadas nada menos de 2.214 obras paralisadas em todo o País. Com 284 elefantes brancos, Minas Gerais ficou com a taça de chumbo.
Com a reinstalação da Comissão das Obras Inacabadas, o Senado espera atualizar a radiografia do desperdício nacional. Uma Ralobrás S.A. operada a céu aberto pelos governantes ligeirinhos, os que fazem as obras sem fazer (e sem pagar) as contas. Naqueles 2.214 projetos interrompidos de 1995 estavam enterrados R$ 15,2 bilhões. Algo parecido com a construção (e doação) de 1 milhão de casas populares.
O quarto setor (cujo DNA é a corrupção) investe recursos públicos escassos para fins privados escusos. A coisa começa pela subversão das prioridades na formulação e contratação de obras públicas. Exemplo: um novo estádio municipal e não um primeiro hospital. Prossegue pelo superfaturamento de produtos e serviços mobilizados pela filial Propinabrás S.A.
Cada real, em tais projetos, acaba realizando o trabalho de 50 centavos ou menos. O quilômetro faturado de uma nova rodovia tem, não raro, 450 metros de construção. Ah! De preferência, pavimentação de asfalto casca de ovo e não de concreto rígido. O asfalto é mais barato e mais rápido e a pesada conta da conservação e/ou da restauração fica para a próxima administração. Em países sérios, estradas e avenidas são todas concretadas. Duram...
E os Tribunais Faz-de-Contas da União, dos Estados e dos municípios? Eles não passam de chaveiros de portas arrombadas. Não têm nas mãos o fio da meada da Ralobrás S.A.: obras mal priorizadas, mal projetadas, mal contratadas, mal financiadas, mal realizadas, mal auditadas. O resto é bom.

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