Até prova em contrário
A produção e o consumo (em larga escala) de alimentos transgênicos completam agora seis anos de carreira. Ou seis safras consecutivas de soja e de milho, em especial. Onde? Nos Estados Unidos. Um megacampo de experimentação integrado por 94 milhões de cobaias humanas, nos cálculos da Academia Nacional de Ciências.
Balanço da ousadia biotecnológica made in USA, já espalhada por outros 12 países, incluída a Argentina aqui ao lado: nenhum caso até agora de danos diretos ou indiretos à saúde humana e ao meio ambiente.
Para dezenas de academias nacionais de Ciências, a manipulação genética de alimentos, assim conduzida e monitorada, tem se revelado inofensiva. Até alguma prova em contrário.
Foi manchete, terça-feira, em meio mundo: cientistas defendem transgênicos. O relatório é assinado por academias de Ciências dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, da China, da Índia, do México e do Brasil e outros 17 países do Terceiro Mundo. O governo brasileiro antecipou-se na semana passada, considerando conveniente a introdução dos transgênicos na agricultura brasileira.
O endosso das instituições científicas tem como principal fiador a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos. Ela flutua acima de qualquer suspeita política ou comercial na liberação e patrulhamento de alimentos e de remédios. Os alvarás da Royal Society, de Londres, também são levados a sério em meio mundo.
E a nossa Academia Brasileira de Ciências, presidida por Eduardo Krieger? Ela fecha com as decisões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio), criada em 1995. O que não significa a existência de consenso na comunidade científica do País. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que faz sua 52ª Reunião Anual, em Brasília, deve emitir posição solene na sexta-feira. Ela é presidida por Glaci Zancan, bioquímica da UFPr.
O relatório das academias de Ciências aposta na segurança dos transgênicos, propõe salvaguardas nacionais (do tipo confiar desconfiando) e admite a evolução do transgênicos para os alimentos nutracênicos (que darão carona a genes de maior valor nutricional e até de poder medicinal). Yes, bananas e batatas com vacinas geneticamente embutidas contra doenças, alergias e infecções.
Deu, segunda-feira, no Journal of Infectious Diseases, de Washington: das 20 pessoas que toparam engolir batatas nutracênicas, 19 desenvolveram anticorpos contra o vírus Norwalk, agente de diarréia infecciosa. Um segundo grupo testa bananas manipuladas contra a difteria, ‘‘fábrica de anjos’’ em países pobres.

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